Editorial

A esperança dos brasileiros

Ele assume um governo após um longo período de administrações pouco competentes permeadas pelo fisiologismo e corrupção sem limites

O ano de 2018 ficou para trás. Ficará marcado como o ano que teve uma das eleições mais disputadas da história recente do País. Extremamente polarizado e com as redes sociais ocupando um espaço até então pouco explorado, o pleito, no âmbito federal, pôs fim a um ciclo de governos populistas. Jair Bolsonaro, até o início do ano passado um capitão reformado do Exército e parlamentar pouco conhecido apesar dos vários mandatos, foi entre os candidatos o que melhor soube interpretar os anseios de mudança da população e as mensagens dos eleitores nas manifestações espontâneas de 2013, um fenômeno político complexo que merece estudos mais profundos.

As multidões que foram para as ruas há cinco anos voltaram a se manifestar na campanha de Bolsonaro e só cresceram após o atentado que o então candidato sofreu no mês de setembro, em Juiz de Fora (MG). Fato é que os eleitores brasileiros querem mudanças e é o que promete o novo presidente.

Uma pesquisa divulgada há alguns dias, a primeira patrocinada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) após as eleições e realizada pelo Ibope, mostra que 75% dos brasileiros consideram que Bolsonaro e sua equipe estão “no caminho certo”. Como Bolsonaro conseguiu nas urnas 59% dos votos válidos, é possível deduzir que muita gente que votou no candidato petista mudou de ideia após o término da eleição e hoje apoia o governo que começa agora.

O novo presidente não terá uma tarefa fácil pela frente. Ele assume um governo após um longo período de administrações pouco competentes permeadas pelo fisiologismo e corrupção sem limites. Michel Temer, nos seus dois anos de governo, conseguiu impedir que a crise se aprofundasse ainda mais, mas o novo governo herda ainda 12 milhões de desempregados, altíssimos índices de criminalidade, Estados que sequer conseguem pagar seus funcionários e um déficit gigantesco no orçamento.

Há uma enorme expectativa com relação ao novo governo. O brasileiro quer lei e ordem, está farto de acompanhar um caso novo de corrupção toda semana. Percebe que o Brasil é um dos países que mais cobram impostos e oferece serviços de péssima qualidade. Anseia pela recuperação econômica e consequente aumento de empregos.

No âmbito estadual, embora pertença ao PSDB, o partido que por 23 anos governou São Paulo, João Doria se apresenta como uma espécie de outsider dentro da agremiação e promete um governo também de grandes mudanças. Criticou indiretamente as gestões tucanas e prometeu um Estado mais eficiente, um governo de resultados. Levou para o primeiro escalão de seu governo um sorocabano, Flávio Amary, ex-presidente do Secovi, que vai dirigir a pasta da Habitação.

Os eleitores de Bolsonaro e aqueles que passaram a apoiar seu futuro governo após as eleições mostraram na mesma pesquisa o que esperam do governo: melhorias nos serviços de saúde; geração de empregos; combate à corrupção; combate à violência e criminalidade e melhor educação, nessa ordem.

Não será uma tarefa fácil atender essas reivindicações, mas é mais ou menos em cima dessa plataforma que o ex-capitão se elegeu. Com sua linguagem direta e sem papas na língua, é o que tem defendido em seus discursos desde o início da campanha. Com o choque de liberalismo que pretende dar na economia e o combate rigoroso à corrupção o agora presidente Jair Bolsonaro acena com dias melhores para a população. Em seu discurso de posse no Congresso, o presidente afirmou que vai libertar definitivamente o Brasil da corrupção, da criminalidade, da irresponsabilidade econômica e da submissão ideológica. Também convocou os congressistas a ajudá-lo a aprovar “reformas estruturantes” de que o Brasil precisa. Não podemos nos esquecer de que terá que enfrentar setores corporativistas no Congresso e uma oposição ferrenha do PT e partidos satélites.

O Brasil encontra-se hoje em uma espécie de encruzilhada. Ou enfrenta os sérios problemas que se apresentam, ou se tornará ingovernável dentro de pouco tempo. Bolsonaro precisa usar todo seu capital político para convencer os brasileiros da necessidade imediata da reforma da Previdência e do corte dos gastos públicos. Sem isso não conseguirá atrair investimentos e, sem eles, não haverá crescimento e novos empregos. Que a onda de otimismo que varreu o País nos últimos dias se transforme em força propulsora para trazer dias melhores. O presidente Jair Bolsonaro representa hoje a esperança dos brasileiros.

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