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A dengue não é uma enfermidade banal, nem pode ser tratada como um incômodo passageiro de verão

Por Da Redação

O Aedes aegypti transmite a dengue ao picar pessoas infectadas

A redução dos casos e das mortes por dengue em Sorocaba é uma notícia positiva para a saúde pública e um alívio para milhares de famílias. O resultado mostra que é possível conter uma doença que, nos períodos de maior transmissão, pressiona os serviços de saúde e pode levar à morte. A boa notícia, porém, não significa que o perigo passou. Quando os números recuam, a prevenção precisa ser reforçada para que a queda se mantenha com a chegada das chuvas.

A dengue não é uma enfermidade banal, nem pode ser tratada como um incômodo passageiro de verão. Em quadros graves, provoca complicações importantes e pode evoluir rapidamente. Cada caso evitado representa uma pessoa que não precisará de atendimento, uma família poupada de angústia e menos pressão sobre unidades de saúde. A diminuição dos registros merece reconhecimento, mas também exige atenção às medidas que contribuíram para esse cenário e àquelas que ainda precisam avançar.

O enfrentamento depende de ações coordenadas. Cabe ao poder público organizar a vigilância epidemiológica, identificar áreas de risco, orientar moradores, fiscalizar locais com focos e manter equipes preparadas para responder ao aumento da transmissão. Campanhas e divulgação clara dos dados também são indispensáveis. A queda dos indicadores não elimina a necessidade de trabalho contínuo nem autoriza relaxamento. Ações educativas precisam chegar aos bairros e ser acompanhadas de resposta rápida às denúncias de possíveis focos. A regularidade é tão importante quanto a mobilização.

Mas nenhuma estrutura municipal consegue vencer a dengue sozinha. O Aedes aegypti se reproduz perto das pessoas, muitas vezes em recipientes pequenos e aparentemente inofensivos. Um prato sob o vaso, uma garrafa destampada, uma calha entupida, um balde esquecido no quintal ou uma lona acumulando água podem favorecer a proliferação. Não é preciso haver um terreno abandonado ou uma piscina para surgir um foco. A prevenção começa dentro de casa e se estende a quintais, terrenos, comércios, obras e espaços compartilhados.

A rotina de combate é simples, mas precisa ser constante. Uma vez por semana, cada morador deve verificar recipientes, eliminar água parada, manter caixas-d'água fechadas, limpar calhas, guardar pneus em local coberto e descartar corretamente objetos sem uso. Pratos de plantas devem ser eliminados ou preenchidos com areia, e garrafas precisam ficar protegidas da chuva. Atitudes individuais, repetidas por toda a comunidade, reduzem as oportunidades de reprodução do mosquito.

A proximidade do período chuvoso torna esse compromisso urgente. A água acumulada depois de uma pancada pode criar condições favoráveis ao mosquito. Esperar os casos crescerem para agir significa chegar tarde. A prevenção precisa anteceder o problema, com ações permanentes da administração municipal e atenção redobrada dos moradores antes das semanas de chuva e durante elas. A responsabilidade é compartilhada, mas isso não deve servir de desculpa para que qualquer parte deixe de cumprir seu papel.

A vacinação também integra a estratégia de proteção e deve seguir as orientações das autoridades de saúde, os critérios de elegibilidade e a disponibilidade na rede pública. É um avanço importante, mas não substitui o controle dos criadouros nem dispensa outras medidas preventivas. Vacinar quem tem indicação e impedir a multiplicação do mosquito são frentes complementares. Juntas, ampliam a proteção individual e coletiva.

A redução registrada em Sorocaba deixa uma lição: os resultados melhoram quando prevenção, vigilância e participação social caminham na mesma direção. Números menores, contudo, não significam risco inexistente. A falsa sensação de segurança pode desfazer parte do avanço conquistado. A boa notícia deve estimular a persistência, não servir de sinal verde para o descuido.

Combater a dengue depende de grandes ações públicas, mas também de uma atitude cotidiana e decisiva: não deixar água parada. Ao município cabe manter a estrutura, orientar, fiscalizar e agir com rapidez; a cada cidadão, cuidar do espaço sob sua responsabilidade e alertar sobre situações de risco. A queda dos casos e das mortes merece ser comemorada. Mantê-la exige que a cidade inteira continue mobilizada. Com as chuvas se aproximando, a melhor hora para prevenir é agora.

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