O coração solidário de Sorocaba

Por Cruzeiro do Sul

No dia 2 de agosto, quando as últimas barracas forem desmontadas e as luzes da Festa Julina Beneficente se apagarem, Sorocaba encerrará muito mais do que um dos eventos mais tradicionais de seu calendário. Chegará ao fim mais um capítulo de uma extraordinária demonstração de cidadania, solidariedade e compromisso coletivo. Durante quatro semanas, milhares de pessoas trabalharam para que mais de 50 entidades assistenciais pudessem transformar gastronomia, cultura e convivência em recursos indispensáveis para manter vivo um trabalho social que beneficia milhares de pessoas ao longo de todo o ano.

Essa é a essência do chamado Terceiro Setor, um dos pilares sobre os quais se sustenta uma sociedade verdadeiramente desenvolvida. O Primeiro Setor é representado pelo Estado, responsável por formular políticas públicas e garantir direitos. O Segundo Setor é formado pela iniciativa privada, responsável pela geração de riquezas, empregos e tributos. Já o Terceiro Setor reúne organizações da sociedade civil sem fins lucrativos que atuam onde muitas vezes o poder público não consegue chegar e onde a lógica econômica não encontra espaço para agir.

É importante compreender que esses três setores não competem entre si. Ao contrário, complementam-se. Uma cidade forte depende de um Estado eficiente, de uma economia dinâmica e de uma sociedade civil organizada. Quando um deles enfraquece, toda a comunidade sente os efeitos.

Sorocaba construiu, ao longo de décadas, uma tradição admirável de participação comunitária. Suas entidades assistenciais representam um patrimônio social de valor incalculável. São instituições que acolhem crianças, adolescentes, idosos, pessoas com deficiência, famílias em situação de vulnerabilidade, dependentes químicos e tantos outros cidadãos que encontram nelas não apenas atendimento, mas acolhimento, dignidade e esperança.

Entretanto, solidariedade também exige planejamento, organização e sustentabilidade financeira. As entidades não sobrevivem apenas da boa vontade. Elas precisam manter equipes, pagar contas, adquirir alimentos, medicamentos, equipamentos, realizar manutenção de suas instalações e garantir a continuidade dos projetos desenvolvidos diariamente.

É justamente por isso que eventos beneficentes assumem importância tão significativa. A Festa Julina Beneficente é, há décadas, um dos maiores símbolos dessa corrente solidária. Mais do que uma grande festa popular, ela representa uma gigantesca ação comunitária em torno de um único objetivo: arrecadar recursos para manter vivo um trabalho social que transforma milhares de vidas. Cada pastel servido, cada lanche preparado, cada prato típico vendido e cada bebida comercializada carregam um significado muito maior do que aparentam. Atrás de cada atendimento existe uma instituição que continuará prestando assistência muito depois que o último visitante deixar o recinto.

O mesmo espírito inspira o tradicional Bacalhau Amigo, que ontem (18) alcançou sua 26ª edição. Muito mais do que um jantar beneficente, tornou-se um exemplo de como empresários, profissionais liberais, lideranças comunitárias e cidadãos podem unir esforços para fortalecer organizações sociais que fazem diferença na vida de milhares de pessoas muitas vezes invisíveis.

A solidariedade sorocabana se manifesta durante todo o ano nos almoços beneficentes realizados aos sábados e domingos, nas feijoadas, pizzas solidárias, bazares, campanhas de chocolates na Páscoa, panetones no Natal e tantas outras iniciativas que ajudam a manter abertas as portas de dezenas de entidades. Existe, na cidade, um verdadeiro calendário permanente da solidariedade.

Por trás de tudo isso está um exército silencioso de voluntários. São pessoas que dificilmente aparecem nas fotografias ou recebem homenagens. São homens e mulheres que vendem convites, procuram patrocinadores, montam barracas, descascam legumes, fritam pastéis, lavam panelas, organizam estoques, limpam salões e encerram cada evento com a satisfação de saber que contribuíram para uma causa maior do que elas próprias. São os heróis anônimos da solidariedade.

Vivemos tempos em que os debates públicos frequentemente privilegiam aquilo que divide. O Terceiro Setor, ao contrário, lembra que ainda existem causas capazes de unir pessoas de diferentes crenças, profissões, ideologias e condições sociais em torno de um objetivo comum: cuidar do próximo.

A verdadeira riqueza de uma cidade não pode ser medida apenas por seu Produto Interno Bruto, pelo número de empresas instaladas ou pelo volume de sua arrecadação. Ela também se revela na capacidade de sua população de transformar compaixão em atitude e generosidade em compromisso permanente.

Sorocaba tem razões para se orgulhar desse patrimônio humano. Enquanto houver entidades comprometidas com o bem comum e voluntários dispostos a doar tempo, talento e trabalho haverá esperança para milhares de pessoas. Quando Assim, de ação em ação, Sorocaba continua demonstrando, ano após ano, que sua maior riqueza é a solidariedade de seu povo.

Esse é o espírito que move a Loja Maçônica Perseverança III e as entidades filantrópicas que mantém e a Fundação Ubaldino do Amaral (FUA) - mantenedora do jornal Cruzeiro do Sul e do Colégio Politécnico - que desenvolve essencial trabalho para o Terceiro Setor por atuar como pilar de desenvolvimento social, atuando em três frentes: assessoramento a entidades assistenciais, comunicação e educação. Ela é mantenedora de importantes projetos que impactam diretamente a região e fortalecem o ecossistema do terceiro setor.