A diversidade agrícola regional
Municípios da região de Sorocaba estão diversificando sua produção agrícola com foco em novos mercados e público consumidor. Ao mesmo tempo em que agricultores vêm investindo em pesquisa e manejo para alcançar qualidade e bom rendimento em suas plantações, outros segmentos da economia se fortalecem nesses municípios, principalmente o turismo e lazer.
A região de Sorocaba fica perto de grandes centros consumidores, sendo a Grande São Paulo o maior deles. O chamado cinturão verde - faixa de cultivo de frutas, hortaliças, legumes, entre outros itens - precisa ficar relativamente próximo das metrópoles a fim de que esses produtos cheguem frescos aos centros de distribuição. Essa zona de cultivo de hortifrútis se estende para os municípios no entorno de Sorocaba.
A diversidade passou a ditar os investimentos no setor agrícola nas últimas décadas, sendo uma alternativa aos produtos básicos, como arroz, milho, soja e batata. São cultivados morango, uva de mesa, alcachofra, figo, caqui, entre outros vegetais, que abastecem as mesas mais exigentes, por isso têm valor maior de venda, lucro que é revertido aos agricultores, suas famílias e empregados.
Alambari encontrou no figo de mesa um dos seus principais atrativos, promovendo eventos como a colheita direta pelos apreciadores e o preparo de pratos com a fruta, como mostrou reportagem publicada recentemente pelo Cruzeiro do Sul. A cultura do figo movimenta a economia local, gera empregos na agricultura e em outros setores.
Pilar do Sul e São Miguel Arcanjo aparecem como referências no cultivo das uvas de mesa, inclusive as sem semente, que são bastante apreciadas e têm espaço reservado nas prateleiras de supermercados. Entre outros cultivos estão a atemoia, caqui, pêssegos e ameixas, entre outras variedades. As frutas exigem um elevado padrão de qualidade para atender as exigências do mercado em que estão inseridas.
Tapiraí, conhecida nacionalmente pela produção de gengibre (inclusive promove a festa anual, em julho), se destaca também por outros produtos agrícolas. O município tem grande extensão de mata preservada, que assim como a culinária baseada na raiz, principalmente a de origem oriental, serve de incentivo para a vinda de visitantes frequentes.
Piedade e Ibiúna são dois dos principais produtores de hortifrútis no Estado de São Paulo e abastecem diariamente centros distribuição de Sorocaba e da capital paulista. Além das batatas, cebolas, cenouras e verduras, produtores rurais de ambos os municípios vêm ampliando a diversificação agrícola nas últimas décadas. E as novidades para algumas frutas (nativas ou que vieram de outras regiões do mundo) ganham o gosto dos brasileiros para o que nem tinham experimentado antess. Exemplos são o mirtilo, damasco, framboesa, gabiroba e uvaia.
Um dos destaques de Piedade, Ibiúna e São Roque é a alcachofra. A flor comestível, cujo consumo já foi assimilado, tem ganhado uma legião de apreciadores. Piedade foi reconhecida em 2024 como capital da alcachofra. Pratos preparados com esse ingrediente principal são comuns nos restaurantes de São Roque, este município da região também conhecido pelo vinho. Além dos finais de semana e feriados, a flor comestível também atrai visitantes a São Roque em setembro e novembro, por ocasião da festa da alcachofra, por ocasião da safra.
A força do campo e sua diversidade se traduzem em eventos e reconhecimento nacional para os municípios da região de Sorocaba. Mas ao contrário do dito popular, em time que está ganhando também é preciso mexer, a fim de alcançar resultados ainda melhores. Alguns dos desafios para a fruticultura local, conforme apontamentos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) estão a gestão fitossanitária, escassez de mão de obra qualificada, manejo climático e escoamento da produção.
Gargalos técnicos e operacionais exigem cooperação de entes públicos e privados. As mudanças climáticas favorecem o surgimento de doenças, além de demandar custos maiores em irrigação e proteção dos cultivos. As temperaturas mais amenas no sudoeste do Estado de São Paulo atraem produtores de outras regiões, de acordo com tendência verificada pela Embrapa, e isso deve ser equacionado de modo colaborativo para que não venham a ocorrer distorções e desequilíbrios.