Educação como missão permanente

Por Cruzeiro do Sul

A educação nunca foi apenas um instrumento de ascensão social. Ela é, antes de tudo, uma ferramenta de libertação humana. Povos que investem em escolas, em conhecimento e na formação ética de suas crianças e jovens constroem sociedades mais conscientes, mais desenvolvidas e menos vulneráveis à ignorância, à intolerância e à manipulação. Em Sorocaba, poucas instituições carregam essa compreensão histórica de forma tão profunda quanto a Loja Maçônica Perseverança III e a Fundação Ubaldino do Amaral (FUA).

Fundada em 31 de julho de 1869, a Perseverança III nasceu em um Brasil ainda escravagista, quando defender liberdade, educação popular e dignidade humana exigia coragem. Mais do que uma organização filosófica, a Loja tornou-se um símbolo de transformação social ao atuar diretamente em favor da abolição da escravatura e da democratização do ensino. Documentos históricos apontam que a Perseverança III foi a primeira sociedade civil brasileira organizada especificamente para combater a escravidão e promover educação aos trabalhadores e aos negros libertos. A missão era comprar escravos, promover a abolição da escravatura e garantir a inclusão social por meio da educação.

Num período em que o acesso ao ensino era privilégio de poucos, a Loja Maçônica criou escolas noturnas e desenvolveu iniciativas educacionais voltadas justamente aos excluídos da sociedade. Em uma época marcada pela segregação social e racial, abrir as portas do aprendizado aos filhos do povo e aos antigos escravos representava um ato revolucionário. A Perseverança III compreendeu, muito antes de muitos governos, que a verdadeira liberdade não se consolida apenas por decretos, mas pela educação.

Essa vocação atravessou gerações. Ao longo de mais de um século e meio, a Perseverança III ajudou a construir em Sorocaba uma cultura de responsabilidade social baseada no conhecimento, na solidariedade e na formação cidadã. Dessa tradição nasceu a Fundação Ubaldino do Amaral, que completa 62 anos em 2026, instituição que se consolidou como uma das mais importantes entidades filantrópicas do interior paulista.

A FUA não se limitou a preservar um legado histórico. Ela o ampliou. Tornou-se mantenedora do centenário jornal Cruzeiro do Sul, veículo que há décadas participa ativamente da vida regional, defendendo valores democráticos, cidadania e desenvolvimento social. Mais do que informar, o Cruzeiro do Sul ajudou — e continua ajudando — a formar consciência coletiva.

Fundado em 1999, o Colégio Politécnico de Sorocaba tornou-se referência pela excelência acadêmica e pela proposta de formação integral dos estudantes, uma das expressões desse compromisso com a educação. Em tempos nos quais muitos enxergam a educação apenas como treinamento técnico ou preparação para vestibulares, o Politécnico preserva algo essencial: a formação humana.

Os resultados no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), conquistados ao longo dos anos, comprovam a qualidade pedagógica da instituição. Entretanto, talvez ainda mais relevante seja o compromisso social mantido pela escola ao oferecer bolsas de estudo que chegam a 100%, permitindo que jovens de diferentes realidades tenham acesso a um ensino de excelência. Trata-se de um investimento silencioso, contínuo e profundamente transformador.

O projeto educacional desenvolvido pelo Politécnico está fundamentado em valores cada vez mais raros e necessários: ética nas relações interpessoais, confiança, respeito às diferenças, convivência solidária e trabalho em equipe. Em um mundo marcado pela intolerância, pelo individualismo e pela superficialidade das relações, ensinar respeito, responsabilidade e empatia tornou-se tão importante quanto ensinar matemática, redação ou ciências.

Antes mesmo da criação do Colégio Politécnico, a FUA já mantinha uma atuação profundamente transformadora na área educacional. Durante décadas, a entidade concedeu bolsas de estudo, permitindo que milhares de jovens tivessem acesso à educação em períodos nos quais estudar era um privilégio distante para muitas famílias. Mais de 10 mil bolsas de estudo foram oferecidas pela Fundação, segundo registros históricos da própria instituição.

Muitos desses estudantes tornaram-se profissionais, empresários, professores, técnicos e lideranças comunitárias. Histórias pessoais que talvez jamais apareçam em estatísticas oficiais, mas que representam o verdadeiro alcance social da educação. A Fundação Ubaldino do Amaral ajudou a romper ciclos de pobreza, ampliou oportunidades e construiu caminhos para famílias inteiras por meio do conhecimento.

A Fundação Ubaldino do Amaral compreende que educação não é gasto. Educação é investimento social permanente. É construção de futuro. Cada recurso destinado à manutenção de escolas, projetos pedagógicos, bolsas de estudo e iniciativas educacionais retorna para a sociedade em forma de cidadania, desenvolvimento econômico, redução das desigualdades e fortalecimento humano.

Não por acaso, a partir desta terça-feira, a Fundação Ubaldino do Amaral passa a destacar na primeira página do Cruzeiro do Sul uma mensagem simples, mas carregada de significado: além de Deus e da família, a instituição também acredita na educação.

E acreditar na educação, hoje, exige firmeza. Em tempos de desinformação, radicalismos e empobrecimento do debate público, defender o ensino de qualidade tornou-se quase um ato de resistência. Exige persistência semelhante àquela demonstrada pelos fundadores da Perseverança III em 1869, quando ousaram enfrentar preconceitos e construir oportunidades para aqueles que eram invisíveis aos olhos do poder.

Sorocaba deve reconhecer o valor histórico e social desse trabalho. Porque instituições comprometidas com a educação não constroem apenas escolas. Constroem cidadãos. E são justamente cidadãos conscientes, preparados e éticos que garantem o futuro das cidades da Região Metropolitanana de Sorocaba, do Estado e do País.

Num país em que tantas vezes a educação enfrenta dificuldades, limitações estruturais e falta de continuidade, iniciativas filantrópicas sérias ganham importância ainda maior. E a Fundação Ubaldino do Amaral escolheu, desde sua origem, investir justamente naquilo que produz transformação duradoura: a formação humana. Não se trata apenas de manter uma escola ou conceder bolsas. Trata-se de acreditar que uma oportunidade educacional pode alterar destinos inteiros.” Por isso, cremos em Deus, na família e na educação!