O mundo acelera; o Brasil freia

Por Cruzeiro do Sul

O mais recente relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) lança um sinal de alerta que o governo Lula insiste em minimizar: o Brasil segue na contramão do mundo. Enquanto a economia global teve sua projeção de crescimento revisada para cima, impulsionada por investimentos, inovação e ganhos de produtividade, o desempenho brasileiro para 2026 foi revisto para baixo. O contraste é eloquente e constrangedor.

Segundo o FMI, o crescimento do Brasil em 2026 será de apenas 1,6%. O país figura entre os poucos grandes emergentes que tiveram revisão negativa. O diagnóstico é direto: os efeitos defasados de uma política monetária excessivamente restritiva, mantida por tempo prolongado, seguem sufocando a atividade econômica.

A taxa básica de juros, em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, permanece nesse nível desde agosto de 2025. Embora o combate à inflação seja necessário, o problema está menos na existência do remédio e mais na doença que o tornou inevitável. A política econômica errática, a expansão fiscal mal calibrada e a dificuldade do governo em transmitir credibilidade ao mercado criaram o ambiente que justificou juros tão elevados por tanto tempo.

O próprio FMI deixa claro que, apesar da leve melhora projetada, o custo do crédito continuará sendo o principal freio ao crescimento brasileiro. Em outras palavras, o País não enfrenta um problema conjuntural, mas estrutural. Cresce pouco porque insiste em errar nos fundamentos.

O contraste com o cenário internacional é revelador. O FMI elevou a projeção de crescimento global para 3,3% em 2026, destacando a resiliência das economias avançadas e emergentes, mesmo após tensões comerciais e tarifárias recentes. O motor desse desempenho tem nome e sobrenome: tecnologia, inovação e inteligência artificial. São setores que atraem investimentos, aumentam a produtividade e puxam o crescimento sustentável.

O Brasil, no entanto, assiste a essa transformação do lado de fora. Enquanto o mundo aposta em inteligência artificial, digitalização e eficiência, o País se enreda em disputas ideológicas, insegurança regulatória e decisões que afastam o capital produtivo. O resultado é um crescimento anêmico, dependente de consumo artificialmente estimulado e de programas de transferência de renda que, embora necessários socialmente, não substituem uma estratégia sólida de desenvolvimento.

Nem mesmo na comparação regional o Brasil se sai bem. Para a América Latina e o Caribe, o FMI projeta crescimento de 2,2% em 2026 e 2,7% em 2027, ambos superiores às estimativas brasileiras. Entre as economias emergentes e em desenvolvimento, a média esperada é de 4,2%. O isolamento brasileiro, mais uma vez, não é geográfico, mas político e econômico.

O governo Lula costuma atribuir os problemas ao Banco Central, aos juros ou ao cenário internacional. O relatório do FMI desmonta esse discurso. O mundo cresce, os emergentes avançam e a região melhora. O Brasil não acompanha porque o governo Lula fez escolhas erradas e insiste nelas.

Há ainda um alerta adicional do FMI: o crescimento global está concentrado em poucos países e setores, sobretudo os ligados à inteligência artificial, e pode haver correções se as expectativas de produtividade não se confirmarem. Para o Brasil, isso torna o atraso ainda mais perigoso. Perder a janela da inovação hoje significa comprometer o crescimento de amanhã.

O recado está dado. O Brasil tem potencial, mas cresce pouco por excesso de improviso, ideologia e descoordenação econômica. Persistir nesse caminho é aceitar a mediocridade como destino. E isso, definitivamente, não pode ser normalizado.