Falta de água, o velho problema
A falta de água é algo comum no verão e em períodos de estiagem em cidades da região de Sorocaba. Neste final de 2025 e início de 2026, o problema parece maior, pois mesmo com chuvas moradores reclamaram da dificuldade de ficar sem poder lavar roupas e louças, tomar banho e outras necessidades básicas. Como mostrou reportagem do Cruzeiro do Sul, a falta de água foi sentida em Capela do Alto, Salto, Mairinque, Tatuí e Tietê. Houve desabastecimento pontual também em outras cidades.
Em Salto, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) adotou medidas emergenciais para tentar minimizar os impactos. O rodízio no fornecimento de água para bairros da cidade, restrição que também tem o nome de racionamento, é a principal medida. O abastecimento seria alternado, com 24 horas de água e outras 24 horas sem. Porém, moradores se queixaram de que o rodízio não seguiu essa regra, com mais tempo faltando do que as 24 horas previstas.
Em Itu, o superintendente da Companhia Ituana de Saneamento (CIS), Gilmar Souza Santos, divulgou um vídeo em suas redes sociais, no último domingo (28), pedindo a colaboração da população com a economia de água devido à recente onda de calor. O município já enfrentou períodos de escassez antes e há risco de isso acontecer de novo.
Salto e Itu fazem parte do Consórcio Intermunicipal do Ribeirão Piraí (Conirpi), com Cabreúva e Indaiatuba. O consórcio foi formado para construção da barragem do Piraí, uma importante obra a fim de garantir o abastecimento de água dessas cidades, especialmente nos períodos de seca, com um grande reservatório em construção na divisa entre Indaiatuba e Salto, A obra está em andamento, mas teve atrasos para obtenção de licença ambiental devido à presença da espécie de macaco sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita) em área de mata próxima à construção da barragem.
A integração desses quatro municípios em um consórcio para a construção do reservatório indica a urgência para garantir o suprimento de água na região. Outras obras, de menor ou maior proporção, são necessárias para essa mesma finalidade diante do crescimento da população.
É importante lembrar sempre da represa de Itupararanga, construída entre 1911 e 1914, e que fornece água para Sorocaba, Votorantim, Ibiúna e São Roque. O nível do reservatório parece, por enquanto, não ter baixado muito ao ponto de gerar preocupação, ao contrário do que aconteceu em 2021, quando chegou ao volume mais baixo em 96 anos.
Outro reservatório de grande volume na região de Sorocaba fica em Ibiúna, mas atende principalmente cidades da Grande São Paulo, o que evidencia a prioridade e a necessidade de transporte de água por uma distância considerável. O sistema São Lourenço capta água da represa Cachoeira do Franca, na divisa com Embu Guaçu. O sistema garante o abastecimento em Barueri, Carapicuíba, Cotia, Itapevi, Jandira, Osasco, Santana de Parnaíba e Vargem Grande Paulista, aliviando outros sistemas, como o Cantareira. O sistema São Lourenço inclui adutoras de cerca de 49 km, estações elevatórias e a Estação de Tratamento de Água (ETA) Vargem Grande Paulista.
Conforme noticiado recentemente, os reservatórios do sistema Cantareira fecharam o mês de dezembro com 20,18% do volume útil, mesmo com as chuvas dos últimos dias na capital. Este é o nível mais baixo do ano e está apenas 0,18% acima da faixa 5, considerada crítica. O volume útil abaixo de 20% obriga a adoção de medidas excepcionais e mais drásticas para garantir o abastecimento, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA). As medidas podem incluir o racionamento ou rodízio na distribuição de água.
Na segunda-feira (29), em entrevista à Rádio Eldorado, a secretária do Meio Ambiente do Estado, Natália Resende, disse que a situação dos reservatórios de água da região metropolitana de São Paulo é preocupante, mas afastou a possibilidade imediata de racionamento. Isso porque, segundo ela, o Sistema Integrado Metropolitano, que abrange o Cantareira e outros seis mananciais, fechou dezembro operando com 26,2% da capacidade.
Segundo o governo estadual, embora a onda de calor dos últimos dias tenha aumentado o consumo de água em até 60%, as chuvas contribuíram para manter estáveis os grandes reservatórios. Também contribuiu para a estabilidade a redução na pressão da água que chega aos domicílios da Grande São Paulo no período noturno, entre 19h e 7h.
O calor aumenta consideravelmente o consumo de água e traz impacto direto nos reservatórios menores, às vezes os únicos disponíveis a municípios da região de Sorocaba. Planejar medidas regionalmente, para o presente e o futuro, como faz o Conirpi, é um importante passo para garantir o suprimento vital às populações em qualquer época do ano.