O ano que começa

Por Cruzeiro do Sul

As perspectivas para Sorocaba e outras cidades da região indicam um ano de consolidação como um dos principais eixos de crescimento econômico no interior paulista. Os números recentes, em geração de emprego, investimentos empresariais, exportação e novos empreendimentos imobiliários, projetam para 2026 um panorama bastante positivo, apesar de problemas de conjuntura politico-econômica nos âmbitos nacional e global.

Localmente, a administração do prefeito Fernando Martins apresenta uma aparente resiliência e fez alguns ajustes necessários frente à decisão da Justiça pelo afastamento temporário do prefeito Rodrigo Manga.

Há dificuldades a serem superadas, é claro, a fim de garantir um crescimento sustentado do ponto de vista social e ambiental. Áreas específicas e de grande importância, como a saúde e a educação, carecem sempre de zelo e responsabilidade. Gargalos nesses serviços, incluindo aí o fator aumento da população, pressionam por mais atenção e foco das autoridades.

As falhas podem ser previstas e evitadas com planejamento eficiente e fiscalização, principalmente quanto a prestadores de serviços terceirizados. Mais do que prédios e infraestrutura física, os resultados obtidos em números e qualidade são essenciais para que os cidadãos — que são crianças, adultos e idosos — possam viver satisfatoriamente em uma cidade que se destaca entre outras por seu desenvolvimento econômico e nível de qualidade de vida.

Sorocaba e os municípios do seu entorno crescem rapidamente e é preciso ter diretrizes permanentes que não fiquem apenas no papel e nas frases bem escritas. Como retratou o Cruzeiro do Sul em reportagens, a expansão urbana vem reduzindo as zonas rurais e áreas naturais de matas. A exemplo de grandes centros urbanos que cresceram desordenadamente, a urbanização requer cuidados e regras que permitam preservar ecossistemas locais e um mínimo de permeabilização do solo.

Estudos fundamentados em pesquisas mostram que as áreas verdes são vitais nas cidades e devem ser levadas em conta no seu planejamento. Parques, jardins e espaços naturais cumprem funções que vão além do visual e da estética. Eles ajudam na regulação térmica, na drenagem urbana (prevenindo enchentes), na biodiversidade e até na saúde mental dos moradores. Ir ao parque, praticar alguma atividade física ou apenas contemplar a paisagem reduzem o estresse, a ansiedade e melhoram o bom humor.

A conectividade digital tem muito a oferecer neste ano que começa. Sendo bem utilizada, desempenha importantes funções e facilita o dia a dia, seja por meio de aplicativos diversos de serviços até a telemedicina, automação agrícola e pesquisas científicas de ponta. Abrir caminhos para sua utilização, aplicando-a a finalidades práticas e objetivas, deve ser a meta de gestores e educadores.

Experiências no exterior e no interior do Brasil mostram que a conectividade digital é um motor de desenvolvimento econômico e social. A inclusão de jovens no mercado de trabalho, por meio de aplicativos de serviços, e não somente pelos meios tradicionais de contratação, revela um cenário de mudanças. A sociedade e as instituições, no entanto, ainda têm dificuldades para reconhecer essa transição. Com exceções, a aprovação de crédito para esses pequenos empreendedores ainda esbarra nas exigências convencionais. E há quem considere que não sejam ocupações que devam ser definitivas.

O ano que chega apresenta-se cheio de desafios. O melhor caminho para navegá-lo é tentar compreender os novos tempos e a linguagem que à primeira vista parece indecifrável. O vento que sopra para um lado pode mudar de repente, mas é importante ter a orientação de onde se quer chegar. Também se torna cada vez mais necessário saber como corrigir a rota, aprendendo com os próprios erros e os dos outros.