Uma semana do Novembro Azul

Por Cruzeiro do Sul

 

Já se passou uma semana desde o início do mês de Novembro Azul, dedicado à conscientização da saúde masculina, com ênfase no câncer de próstata, e o alerta permanece urgente. Apesar dos esforços de comunicação, campanhas e ações pontuais, ainda se observa uma resistência considerável por parte dos homens em adotar hábitos de cuidado médico, o que compromete a efetividade da prevenção e do diagnóstico precoce.

A origem da campanha remonta à Austrália, em 2003, quando o movimento Movember convidou homens a deixar crescer o bigode como símbolo de atenção à saúde masculina. O conceito se espalhou e chegou ao Brasil a partir de 2008, quando organizações como a Sociedade Brasileira de Urologia passaram a articular o Novembro Azul junto ao Instituto Nacional de Câncer (Inca) e às secretarias municipais de saúde.

No Brasil, os dados do Inca estimam cerca de 71.730 novos casos de câncer de próstata por ano para o triênio 2023-2025. A doença aparece como o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens, atrás apenas dos tumores de pele não-melanoma. A idade e histórico familiar estão entre os principais fatores de risco que dificultam o controle da doença. Dados do sistema de informações sobre mortalidade do Ministério da Saúde revelam que, em 2023, ocorreram 17.093 óbitos em decorrência da doença, o que significa 47 mortes por dia.

Em Sorocaba, a Secretaria da Saúde organizou uma programação especial nas Unidades Básicas de Saúde, com cartazes, informativos educativos e orientação para homens a partir de 40 anos ou 50 anos — dependendo do histórico — que procuram as unidades para acompanhamento.

Também há operação de unidade móvel, o Ônibus Azul , com atendimento especializado em urologia, prevenção ao câncer de próstata e outras doenças masculinas. Na unidade especializada AME Sorocaba, os dados da campanha apontam incremento planejado de 15% nas consultas de enfermagem em saúde do homem e de 20% nos exames de toque retal, com base nas médias mensais de 590 consultas de urologia e 115 exames de toque.

Porém, o desafio é cultural e estrutural. A resistência masculina, motivada por perigoso constrangimento com exames como o toque retal, permanece como barreira. Muitos homens deixam para procurar ajuda quando os sintomas já estão presentes, e então o estágio da doença já é mais avançado. Isso significa menos chances de cura e mais custos para o sistema de saúde pública. Segundo especialistas, quando os sintomas começam a se manifestar, cerca de 95% dos tumores já se encontram em fase avançada.

Portanto, o Novembro Azul deve servir como alavanca para uma mudança permanente. Não se trata apenas de iluminação em azul ou panfletos nas UBSs e sim de estabelecer uma cultura de cuidado entre os homens, com consultas regulares, exames orientados, estilo de vida saudável (atividade física, alimentação, evitar tabagismo e consumo excessivo de álcool) e políticas públicas que garantam acesso fácil e contínuo. Isso requer diálogo sensível, respeito aos tabus masculinos e aposta na educação em saúde.

As mobilizações mostram um caminho viável: transformar o mês de novembro em início de um processo contínuo de atenção à saúde do homem. A próxima meta é que esse cuidado se estenda aos demais meses do ano, com homens que não esperam “se sentir mal” para se cuidar. Porque cuidar da saúde não é fraqueza: é uma responsabilidade com a própria vida, a família e a comunidade. Mais do que um mês de fitas azuis, o Novembro Azul deve ser entendido como um convite à responsabilidade.

Isso porque, a estimativa de cura para pacientes com câncer de próstata pode chegar a até 98%, conforme avaliação do supervisor de robótica do Departamento de Terapia Minimamente Invasiva da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Gilberto Laurino Almeida. Esse resultado depende do estágio da doença, do tipo de câncer e do momento em que o paciente foi tratado. Segundo o médico, entre 85% e 90% dos casos de câncer de próstata não têm origem familiar e o Novembro Azul é para que os homens se lembrem dessas informações e procurem um médico urologista.