Pressão arterial 12 por 8

Por Cruzeiro do Sul

Pouco sintomática, muitas vezes ignorada e ainda subestimada pela população, a hipertensão arterial é hoje um dos principais fatores de risco para mortes no Brasil. Dados do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a pressão alta está diretamente ligada a cerca de 30% das mortes por doenças cardiovasculares no País. Entre elas, destacam-se o infarto e o acidente vascular cerebral (AVC), duas das maiores causas de óbito entre os brasileiros.

Especialistas classificam a hipertensão como o “assassino silencioso”, porque em geral não apresenta sintomas até que o organismo já esteja comprometido. Estima-se que um em cada quatro adultos brasileiros sofra de pressão alta, mas boa parte sequer sabe que tem a doença ou não faz acompanhamento adequado. O problema se agrava diante do baixo controle clínico. Menos da metade dos hipertensos mantém a pressão estabilizada com tratamento.

A consequência é alarmante: segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia, aproximadamente 400 mil pessoas morrem por ano no País em decorrência de doenças cardiovasculares, muitas delas relacionadas à hipertensão não tratada. Isso significa que, em média, uma morte a cada 90 segundos tem ligação com o descontrole da pressão arterial.

Entre os fatores que alimentam essa epidemia silenciosa estão o sedentarismo, a má alimentação rica em sódio, o consumo de álcool e cigarro, além do estresse crônico, um cenário cada vez mais presente nas grandes cidades brasileiras.

A prevenção, no entanto, é relativamente simples: manter hábitos saudáveis, praticar atividade física regular, reduzir o sal nas refeições e realizar exames de rotina. Médicos alertam que a medição da pressão arterial deveria ser tão corriqueira quanto medir a temperatura ou o peso corporal.

Especialistas reforçam que o combate à doença depende de duas frentes: políticas públicas de saúde que ampliem o acesso ao diagnóstico e ao tratamento, e a consciência individual de que cuidar da pressão é cuidar da vida.

Daí a importância de frequentar um cardiologista para ter a garantia da prevenção e no diagnóstico precoce de eventuais problemas relacionados à hipertensão arterial. O acompanhamento especializado permite identificar alterações antes que evoluam para quadros graves.

O diagnóstico precoce consiste em ser submetido a exames simples, como a aferição da pressão arterial, eletrocardiograma e testes de sangue. Há, ainda, a prevenção personalizada, quando o médico orienta sobre alimentação, prática de exercícios, controle do estresse e uso correto de medicamentos, e o monitoramento contínuo.

É fato: quem mantém consultas regulares tem maior chance de controlar a pressão e evitar complicações fatais. Adultos considerados saudáveis, sem sintomas ou histórico familiar relevante, devem passar por pelo menos uma consulta anual.

Para pacientes com histórico familiar, sobrepeso, sedentarismo, tabagismo, colesterol alto ou hipertensão, recomenda-se consultas a cada seis meses. Já as pessoas diagnosticadas com doenças cardiovasculares devem ir ao especialista mensalmente ou a cada três meses, dependendo da gravidade.

Uma nova diretriz brasileira de manejo da pressão arterial passa a considerar a aferição 12 por 8 não mais como pressão normal, mas como indicador de pré-hipertensão. O documento foi elaborado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, pela Sociedade Brasileira de Nefrologia e pela Sociedade Brasileira de Hipertensão.

De acordo com a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025, a reclassificação tem como objetivo identificar precocemente indivíduos em risco e incentivar intervenções mais proativas e não medicamentosas no intuito de prevenir a progressão do quadro de hipertensão dos pacientes.

A partir de agora, portanto, para que a aferição passe a ser considerada pressão normal, ela precisa ser inferior a 12 por 8. Valores iguais ou superiores a 14 por 9 permanecem sendo considerados quadros de hipertensão em estágios 1, 2 e 3, a depender da aferição feita pelo profissional de saúde em consultório.