Mais de que hospitais públicos
O Estado de São Paulo voltou a ser destaque na saúde global, com hospitais públicos entre os melhores do mundo em diferentes especialidades médicas no ranking World’s Best Specialized Hospitals 2026, divulgado pela revista americana Newsweek.
O Instituto do Coração (InCor-HCFMUSP), o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, Hospital das Clínicas da FMUSP (HCFMUSP) — ambos ligados à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo — e o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) aparecem com distinção nas especialidades de cardiologia, cirurgia cardíaca, neurologia, ortopedia, gastroenterologia e oncologia e se mantêm como melhores hospitais brasileiros.
O destaque no ranking internacional reconhece o trabalho contínuo do Governo de São Paulo nos investimentos em saúde pública, inovação e qualidade assistencial para salvar vidas.
O InCor alcançou sua melhor colocação histórica no mundo em cardiologia, chegando à 12ª posição, nove lugares acima em relação a 2024. Também avançou em cirurgia cardíaca, subindo da 43ª para a 28ª colocação mundial.
Em dois anos, o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia apresentou expressivo crescimento, subindo 18 posições, do 64º, em 2024, para o 46º lugar, em 2025. Já em cirurgia cardíaca, a unidade subiu seis posições, saindo de 70º para 64º.
O Hospital das Clínicas figura entre os 100 melhores do mundo em ortopedia (74º) e neurocirurgia (90º), além de ocupar a 117ª posição em gastroenterologia. No ranking de 2024, havia alcançado as posições 71º em ortopedia, 90º em neurocirurgia e 114º em gastroenterologia.
O Icesp alcançou a 182ª posição mundial em oncologia. Reconhecido como um dos maiores centros oncológicos da América Latina, a unidade atua exclusivamente no atendimento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
O levantamento é realizado anualmente por meio de uma pesquisa on-line mundial, que reúne recomendações de profissionais de saúde, dados de acreditação e certificações, além da Pesquisa de Implementação de PROMs da Statista, que refere-se a Patient-Reported Outcome Measures (PROMs), que são questionários preenchidos por pacientes para avaliar sua qualidade de vida e funcionalidade após um tratamento médico, para promover um cuidado mais centrado no paciente e baseado em valor. Os resultados passam pela validação de um conselho global de especialistas, que avalia instituições de referência em 12 áreas médicas: cardiologia, cirurgia cardíaca, oncologia, endocrinologia, neurologia, neurocirurgia, ortopedia, ginecologia e obstetrícia, gastroenterologia, pneumologia, pediatria e urologia.
Essa conquista é importante para ajudar a garantir a continuidade das políticas públicas da área, afinal a maior rede de saúde pública do Brasil está em São Paulo. Com hospitais de referência nacional, institutos de pesquisa de ponta e programas reconhecidos internacionalmente, o Estado caminha para ser um exemplo em atendimento universal e eficiente. Mas, sempre é bom lembrar que, apesar da excelência, na prática, quem depende da saúde pública ainda enfrenta desafios e precisa enfrentar filas de espera por procedimentos médicos, do simples ao mais delicado e urgente.
O mesmo Estado que abriga hospitais de destaque internacional é aquele onde mães passam madrugadas nas filas em busca de uma vaga pediátrica. É onde idosos esperam por consultas que podem nunca acontecer. É onde a saúde primária, porta de entrada do sistema, segue desvalorizada, à espera de investimentos proporcionais ao seu papel estratégico.
Porém, é bom enfatizar que com mais de centenas de hospitais públicos e conveniados, além de uma ampla rede de Ambulatórios Médicos de Especialidades AMEs, o Estado de São Paulo consegue atender uma demanda que, sozinha, seria maior que a de muitos países. Isso é relevante e se torna ainda mais importante quando se lembra que muitos pacientes — de vários pontos do Brasil — desembarcam em São Paulo em busca de cura.
Mas, o que se espera são investimentos em mutirões de exames e cirurgias para serem realizados com maior frequência. Essas iniciativas ajudam a reduzir filas em determinadas especialidades e traz alento aos pacientes.