Câncer, não podemos baixar a guarda

Em Sorocaba, essa luta contra o câncer tem dois aliados importantes, o Gpaci -- Grupo de Pesquisa e Assistência ao Câncer Infantil, e a Liga Sorocabana de Combate ao Câncer

Por Cruzeiro do Sul

Neste sábado, milhões de pessoas, em todo mundo, dedicaram um pouquinho do seu dia para lembrar de alguém que partiu, vítima do câncer. Apesar de todos os avanços médicos e científicos das últimas décadas, a doença ainda é responsável por produzir milhares de mortes. Nem o Rei do Futebol, no final de dezembro passado, conseguiu derrotar esse mal. Outra personalidade vítima da doença, na semana passada, foi a jornalista Glória Maria.

Vários tipos de tumor, atualmente, já podem ser aniquilados com os mais diversos procedimentos clínicos. A descoberta precoce da doença é meio caminho para o sucesso do tratamento.

O Dia Mundial de Combate ao Câncer, celebrado ontem (4), ajuda a reforçar a importância da conscientização da sociedade sobre os vários tipos de câncer, como o do sangue. O destaque, este mês, vai para a leucemia, tema do Fevereiro Laranja. O câncer no sangue pode ser diagnosticado por exames laboratoriais, principalmente hemograma, além de exames específicos adicionais.

As leucemias, em especial, podem ser divididas em agudas e crônicas. Nas leucemias agudas, os sintomas e sinais surgem de maneira muito rápida. A doença aparece em qualquer faixa etária, mas é mais comum na infância e na adolescência. Por ser de rápida evolução, apresenta, em geral, alterações no hemograma, como anemia, baixa de plaquetas, com risco de hemorragia, e baixa imunidade, com risco de infecção. Associado a isso, a pessoa pode ter dores ósseas, aumento de gânglios e do baço. Diferente da leucemia aguda, que acomete mais crianças, a leucemia crônica é doença de idosos, encontrada em pessoas com idade média a partir de 60 anos.

Em Sorocaba, essa luta contra o câncer tem dois aliados importantes, o Gpaci -- Grupo de Pesquisa e Assistência ao Câncer Infantil, e a Liga Sorocabana de Combate ao Câncer. As duas entidades, juntas, tem ajudado centenas de pessoas com exames, tratamento e acolhimento. Um trabalho exemplar que precisa ser sempre lembrado e exaltado.

Apesar do bom trabalho realizado em Sorocaba, na maior parte do país a situação de combate ao câncer ainda é dramática. Mais da metade das mortes por tumores, cerca de 55%, atinge pessoas com baixa escolaridade e baixa renda. O dado faz parte de um estudo do Observatório de Atenção Primária da Umane, com base no último levantamento do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde. A Umane é uma associação civil independente, sem fins lucrativos, voltada para a articulação e fomento de iniciativas de apoio ao desenvolvimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo os dados do SIM, das 229.300 pessoas que morreram por neoplasias (malignas ou benignas) no Brasil em 2020, 126.555 (55%) tinham até 7 anos de estudo; 20% tinham entre 8 e 11 anos de escolaridade e 9,2% tinham entre 12 anos ou mais de estudo. Os números mostram que a mortalidade é maior entre os que têm menos escolaridade e renda.

A maioria (52%) das mortes por neoplasias (malignas ou benignas) são de homens e 48%, de mulheres, e 59,2% das vítimas têm mais de 65 anos de idade.

Segundo estudiosos do assunto, o câncer não escolhe classe social, mas as populações pobres sofrem mais. A falta de informação, o desconhecimento dos primeiros sintomas e as falhas no atendimento básico de saúde acabam empurrando milhares de pessoas que poderiam ser curadas para o corredor da morte. Mudar esse cenário é vital para se estabelecer um pouco mais de justiça social.

É preciso garantir que esse público, de menor poder aquisitivo, tenha um acesso melhor ao atendimento médico. Os serviços públicos de saúde devem criar protocolos estruturados, que vão permitir a detecção precoce da doença. Só assim conseguiremos diminuir a mortalidade e garantir cuidados paliativos para que o paciente tenha sobrevida com qualidade e segurança.

Muito há para ser feito. Sorocaba tem dado bons exemplos, mas para que eles se multipliquem é preciso o suporte de toda a comunidade. Só assim vamos dar uma chance extra para aqueles que, por um infortúnio, acabam atravessando o mundo do câncer.