Presente de grego
Terminadas as festas e comemorações, o brasileiro vai se deparar com uma triste realidade: o aumento do preço dos combustíveis
Assim que o relógio bater as 12 badaladas da meia-noite do dia trinta e um de dezembro o ano de 2022 terá acabado. O brasileiro vai então olhar para o céu e assistir a um show de luzes e de fogos. Quem estiver na orla de Copacabana, por exemplo, presenciará um espetáculo que deve durar cerca de 12 minutos. Terminadas as festas e comemorações, o brasileiro vai se deparar com uma triste realidade: o aumento do preço dos combustíveis já nas primeiras horas do governo Lula. O impacto no bolso do consumidor pode chegar a 20% do valor pago atualmente. Um baque e tanto, principalmente para quem viajou de carro no feriado e vai precisar voltar para casa.
Esse aumento deve ser cobrado diretamente do presidente eleito. Foi ele que determinou que um acordo fechado entre o atual ministro da Economia, Paulo Guedes, e o futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fosse cancelado.
Lula exigiu que Haddad pedisse ao governo Bolsonaro para desistir de prorrogar o corte dos impostos federais sobre combustíveis. A desoneração, que ajudou a conter o preço da gasolina na segunda metade de 2022, se encerra no dia 31 de dezembro. Haddad havia ligado ao ministro da Economia, Paulo Guedes, na segunda-feira (26), quando acertaram a edição de uma medida provisória (MP) para prorrogar a desoneração por um mês. Mas Lula não concordou e preferiu repassar a bomba para o bolso dos brasileiros.
Guedes vai atender o pedido do futuro governo e não propor a MP. A assessoria de Haddad confirmou que ele pediu para o atual governo não prorrogar a medida e que a definição fica para quando o presidente Lula assumir.
Com essa decisão imposta pelo presidente eleito, o consumidor vai voltar a pagar os impostos federais que incidem sobre os combustíveis e que tinham sido zerado por Bolsonaro. Assim que 2023 chegar, quem for abastecer o seu veículo passa a arcar, de novo, com o PIS, com o Cofins, com o Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) e outros penduricalhos que só encarecem o preço dos combustíveis.
Estimativa feita pelo Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo) aponta que o preço da gasolina deve subir, imediatamente, cerca de R$ 0,90 por litro e do etanol R$ 0,70 por litro. Isso significa que para encher o tanque do seu carro com gasolina, cerca de 40 litros, você vai pagar R$ 36,00 a mais. Se o motorista usar quatro tanques por mês, o impacto no orçamento doméstico será de R$ 144,00.
O presidente do Sincopetro, José Alberto Paiva Gouveia, diz que para os postos de combustíveis é impossível segurar o reajuste e ele deve ser repassado imediatamente para o bolso do consumidor. Segundo Gouveia, o posto, assim que vender seu estoque, vai precisar recomprar das distribuidoras e aí o valor será maior, causando prejuízo para o comerciante.
O aumento do preço do combustível, já no primeiro dia de 2023, não vai pesar só no bolso do consumidor. Indiretamente, o reajuste vai provocar reflexos na inflação uma vez que o preço de outros produtos vai ser também impactado pela medida. Assim, o controle da inflação, conquistado a duras penas nos últimos meses, vai por água abaixo.
Com a inflação apresentando tendência de alta, o Banco Central pode decidir elevar a taxa básica de juros e aí a economia brasileira desanda mais uma vez.
Lula, ao decidir pelo aumento dos combustíveis, bateu de frente inclusive com integrantes do PT que o alertaram para o risco impopular de subida dos impostos logo no primeiro dia de governo. O impacto na inflação, no risco de alta da Selic e na popularidade do presidente logo na largada do governo também foram postos na mesa. Mas Lula preferiu, mesmo diante de tantos argumentos contrários, passar a conta do aumento no preço dos combustíveis para o bolso da população.
O problema pode se agravar ainda mais em janeiro. Os Estados também devem aumentar o ICMS da gasolina, o que pode elevar ainda mais o preço dos combustíveis. Daí para a frente só Deus sabe para que patamares a inflação caminhará. Mas uma coisa é certa, o brasileiro trabalhador é que vai pagar mais essa conta.