São Bento inicia preparação para um ano de desafios
Com os pés no chão, o São Bento dá mostras de que pode voltar ao cenário do futebol nacional
O São Bento iniciou oficialmente, nesta semana, a pré-temporada para o Paulistão 2023, com os primeiros treinos no CT Humberto Reale e a apresentação de um “pacotão” de 22 atletas com pré-contrato assinado.
Em seu retorno à elite do futebol paulista -- em abril, o time foi vice-campeão da Série A2, perdendo o título para a Portuguesa --, a estreia será logo contra o atual campeão, o Palmeiras, no Allianz Parque, no dia 15 de janeiro. A chave, com Ituano e Ferroviária, é considerada difícil, e o técnico Paulo Roberto Santos não esconde que o primeiro objetivo é fugir do rebaixamento para depois sonhar com a segunda fase.
No planejamento, o Azulão tenta repetir a receita de sucesso do Pouso Alegre, que conquistou o acesso à Série C do Campeonato Brasileiro e o vice-campeonato da Série D sob o comando do próprio Paulo Roberto Santos. Para isso, trouxe do interior de Minas Gerais o gerente de futebol Leonardo Silvério. Escolhido para profissionalizar o departamento de futebol beneditino, ele terá a missão de estabelecer uma “ponte” entre o clube, a comissão técnica e os jogadores.
Em termos de elenco, diretoria e comissão técnica apostam no retorno de alguns atletas conhecidos da torcida. Titular na meta beneditina durante a Série A2, o goleiro Zé Carlos agora terá de disputar a posição com Edson Mardden, formado pelo Internacional (RS). O volante Lucas Lima é cria da base beneditina, assim como o meia Kayan, mantido da Copa Paulista. As boas apresentações da dupla durante a campanha do acesso à elite estadual lhes rendeu empréstimos para Atlético-GO e Santo André. O zagueiro Victor Pereira atuou em todos os jogos do primeiro semestre e Marcos Nunes, o “Menino Maluquinho”, como é carinhosamente chamado pela torcida, retorna após ter sido o artilheiro do time no vice-campeonato.
Outros dois jogadores reatam laços com o clube após algumas temporadas vestindo outras camisas, caso do meia Renan Mota, que chega do Floresta (CE) e defendeu o Azulão em 2015 e 2017; e o atacante Branquinho, que atuou no clube em 2017 e 2018, conquistando o acesso à Série B do Brasileiro. Entre as caras novas, chegaram o meia Murilo Rangel e Fernandinho, ambos ex-Água Santa, entre outros. Na montagem do elenco, o maior desafio foi construir uma espinha dorsal alinhada à filosofia, estilo de jogo e maneira de ver o futebol do comandante beneditino sem esbarrar na escassez de recursos, a tônica do São Bento nos últimos anos.
Para a estreia diante da torcida, na segunda rodada, contra o Santo André, o São Bento deve contar com iluminação e gramado melhorados no estádio Walter Ribeiro -- a troca completa do campo ficou para depois do Paulistão, por conta do atraso no repasse de recursos federais provocado pela legislação eleitoral. E a sequência das seis primeiras rodadas -- Palmeiras (fora), Santo André (CIC), Água Santa (fora), Inter de Limeira (CIC), São Bernardo (fora) e Mirassol (CIC) será crucial para as pretensões do time no campeonato. A sétima rodada reserva um duelo difícil com o Santos na Vila Belmiro e na antepenúltima (10ª) o Azulão recebe o São Paulo.
Com os pés no chão, o São Bento dá mostras de que pode voltar ao cenário do futebol nacional, seja com vaga à Série D do Campeonato Brasileiro, ou com a possibilidade de disputar a Copa do Brasil do ano seguinte, ficando entre os três melhores da Taça Independência -- que substitui o Troféu do Interior e reunirá os times classificados do nono ao 14º lugar e eventuais eliminados nas quartas de final. Para isso, precisa do apoio e da confiança do seu torcedor.