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IBGE

Recebam o censo de portas abertas

Dados sobre a população vão servir de subsídios para que estados, municípios e União possam formular suas políticas

22 de Novembro de 2022 às 00:01
Cruzeiro do Sul [email protected]
(Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O Censo Demográfico, levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é importante para o País e para os governantes, tanto das unidades da Federação quanto para os prefeitos municipais. Com o censo é possível analisar detalhes sobre como vive a população brasileira: renda, etnia, raça e grupo familiar. Com isso, fica evidenciado em quais áreas é necessário maior investimento público.

A edição de 2022, que começou no início de agosto, se pretende observar os dados do Brasil, em especial, no contexto dos dias atuais. Cento e oitenta mil recenseadores iniciaram o período de visita a 76 milhões de domicílios em todas regiões, para coletar os dados da população que vão servir de subsídios para que estados, municípios e a União possam formulem suas políticas.

Porém, o andamento da coleta de dados não está a contento. Tanto que, desde esta segunda-feira (21), o IBGE pode contratar pessoal, por tempo determinado, para trabalhar no Censo 2022. Isso se deve à Medida Provisória (MP) número 1.141, assinada pelo presidente Jair Bolsonaro, que dispensou a realização de processo seletivo. Podem ajudar nesse processo, segundo a MP, aposentados pelos regimes próprios de previdência social da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios.

A MP, publicada na edição de segunda-feira do Diário Oficial da União, determina que os contratados vão desempenhar atividades ordinárias pertinentes ao recenseamento. De acordo com o IBGE, não haverá diferenças nas condições de trabalho entre os contratados e concorrentes. E isso é importante para acelerar coleta de dados. “Permite a contratação de pessoal temporário - os recenseadores - por análise de currículo, sem processo seletivo”, informa a Secretaria-Geral da Presidência da República. E esse ajuste de rumo é bem-vindo. E necessário, para que o processo tenha começo, meio e fim.

O Censo Demográfico é realizado no Brasil desde 1872. A partir de 1920, ele acontece a cada 10 anos, sempre em datas terminadas com zero. Antes de 2020, com a pandemia, a pesquisa já foi adiada duas vezes: uma em 1930, por conta do levante que permitiu a chegada de Getúlio Vargas ao poder, e em 1990, por atraso do governo Fernando Collor, que tentou evitar a contratação dos recenseadores -- ele queria contratar servidores, mas a Justiça da época o impediu. O último Censo foi realizado em 2010.

Os principais fatores a serem analisados, nas áreas urbana e rural, são: emigração internacional, sexo, idade, cor ou raça, etnia ou povo, religião ou culto, registro de nascimento, deficiência física ou mental, migração interna e imigração internacional, educação, deslocamento para estudo e trabalho, nupcialidade, características do trabalho e do rendimento, fecundidade e mortalidade. O tempo previsto entre o início da coleta e a liberação dos dados consolidados é de três anos.

No questionário desse ano, pela primeira vez, serão abordadas informações sobre a infraestrutura local existente, incluindo ruas com calçadas e arborizadas, acessibilidade, capacidade de fluxo da via e iluminação pública. Serão dicas importantes aos nossos governantes, para planejarem melhor os investimentos e aprimorarem a zeladoria de suas áreas de atuação.

Como disse o presidente do IBGE, Eduardo Rios Neto, que comanda a atual pesquisa dos dados, “o Censo não é do IBGE; é do Brasil e para o Brasil. O Censo é de todos nós. Nossa equipe visita todos os lares brasileiros, coletando informações que serão muito relevantes para o futuro do País. Não deixaremos ninguém para trás, mas para isso, contamos muito com o apoio da cidadã e do cidadão brasileiros. Recebam o IBGE de portas abertas!”.

A intenção é perfeita. Mas, o Censo 2022 não pode ser marcado pelo atraso. É preciso que a coordenação geral corrija a rota para acelerar, sem comprometer a qualidade do trabalho, a coleta de informações, de modo que o prazo de conclusão, em dezembro, seja respeitado. A MP editada por Jair Bolsonaro parece acertar esse rumo.

Na Região Metropolitana de Sorocaba o trabalho avança, mas é preciso ficar atento. Os dados locais vão se somar aos números nacionais. Pois é assim que se forma um país: conhecendo todos os seus pontos e sabendo onde se tem de atuar.