O mundo aguarda o fim da pandemia
"Tudo indica que há maior controle, mas podem surgir novas variantes", alerta a médica Ligia Kerr
O fim da pandemia da Covid-19, que tanto assustou milhões de pessoas em todo o mundo, está próximo de ser anunciado. A Organização Mundial de Saúde (OMS) ainda não estabeleceu uma data, mas a expectativa é que essa decisão seja tomada em breve.
O avanço da imunização, a descoberta de novos tratamentos e a preponderância de variantes menos letais como a Ômicron ajudaram a reduzir a gravidade da doença em todo o mundo. Com esse cenário, autoridades de vários países aguardam a mudança de status sanitário. Só que ainda não há um consenso dentro da comunidade científica que permita avalizar tal decisão.
Na metade de setembro, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, chegou a afirmar que “nunca estivemos em posição melhor para acabar com a pandemia”. No mesmo pronunciamento, Adhanom acrescentou que “não chegamos lá ainda, mas o fim está à vista”. Só que lá para cá pouca coisa foi feita.
O boletim semanal da entidade que cuida da saúde mundial, divulgado dia 28, mostra que, na última semana, o número de novos casos de coronavírus no mundo caiu 11%, e o de mortes, 18%. No acumulado, desde o início da pandemia, foram contabilizados 6,5 milhões de óbitos. Diante desses números é fácil entender o excesso de cautela da OMS e da comunidade científica em declarar o fim da pandemia. Até lá permanecemos em estado de emergência sanitária mundial.
O brasil vive hoje uma situação de controle diante da Covid-19, o número médio diário de mortes está na casa dos 46, muito abaixo dos Estados Unidos, por exemplo, que ainda registram cerca de 400 mortes diárias. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, chegou a afirmar, na semana passada, que a pandemia teria acabado, mas foi criticado pela comunidade científica e até por integrantes do próprio governo.
“Acho precoce dizer que a pandemia acabou no mundo. Estamos aceitando, para a economia rodar, números relativamente altos. No mundo, são cerca de 1,7 mil óbitos por dia. Há muitos países ainda com quantidade de mortes razoável. Cerca de 400 são nos Estados Unidos, que têm uma das menores taxas de vacinação entre países desenvolvidos. Tudo indica que há maior controle, mas podem surgir novas variantes”, alerta a médica Ligia Kerr, vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva.
O Brasil registrou, no mês de setembro, a menor incidência de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) desde o início da pandemia, em março de 2020. A informação foi divulgada sexta-feira (30) pela Fundação Oswaldo Cruz. Segundo os pesquisadores, há uma tendência de queda ou estabilidade nas hospitalizações por síndromes respiratórias em 25 unidades da federação, sendo Amapá e Distrito Federal as únicas exceções. O boletim da Fiocruz ressalta, entretanto, que, apesar de a manutenção de queda nos casos associados à Covid-19 ser estável, o vírus influenza A apresentou aumento especialmente em São Paulo e no Distrito Federal.
O País recebeu ainda um novo reforço no combate à Covid-19. O Ministério da Saúde recebeu um lote de Paxlovid, antiviral de uso oral indicado para tratamento inicial da doença. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse em entrevista que o medicamento será distribuído para as unidades básicas de saúde e ficará disponível para pacientes acima de 65 anos de idade com alto risco de desenvolver formas graves da doença.
O remédio é indicado para o uso nesses pacientes, assim que possível, a partir do resultado positivo para Covid. Esse medicamento foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso emergencial em março deste ano.
“Agora, com a chegada dessa medicação, teremos mais um medicamento para os médicos que, com autonomia, poderão prescrever naqueles casos que estão indicados dentro do manual do uso”, disse o ministro Queiroga.
Aos poucos a pandemia vai se distanciando. No futuro será lembrada como uma das épocas mais tristes do século XXI. O importante, agora, é retomar a alegria de viver.