O São Bento e a Copa Paulista

Mas o "cinto apertado" é o cenário atual e é dessa forma que o Azulão precisará brigar com equipes mais estruturadas

Por Cruzeiro do Sul

Daqui a exatamente um mês, em 3 de julho, o São Bento estará estreando na Copa Paulista 2022. A competição significa, hoje, o único caminho viável para o retorno do clube à Série D do Campeonato Brasileiro. Para isso, entretanto, o Azulão precisará erguer a taça, que será disputada por outras 16 equipes na primeira fase. Outro prêmio em jogo é uma vaga na Copa do Brasil -- o campeão escolhe qual competição da CBF irá disputar em 2023.

A Copa Paulista é mais um obstáculo a ser vencido na difícil reconstrução do São Bento, que chegou a integrar o seleto grupo dos 40 principais times de futebol do País (a Série B do Brasileiro) em 2018 e 2019 mas, por problemas administrativos que acarretaram em outros de ordem financeira, não conseguiu se manter no topo e hoje encontra-se sem vaga no futebol nacional. Um grande passo já foi dado no primeiro semestre, quando o Azulão conquistou o acesso ao Paulistão com o vice-campeonato da Série A2. Além de devolver o clube ao lugar de onde nunca deveria ter saído, isso vai garantir também maiores recursos para o seu orçamento no ano que vem.

Entretanto, para este segundo semestre, as razões financeiras tornaram impossível a manutenção do elenco vice-campeão e do técnico Paulo Roberto Santos -- que tem retorno apalavrado para o Paulistão 2023. Kike Andrade, comandante do sub-20, ganhou a grande chance da carreira ao ser promovido para liderar o time adulto na Copa Paulista -- o que acarretará, também, na grande responsabilidade de fazer bom futebol com parcos recursos. O orçamento disponível, em relação à Série A2, é dez vezes menos.

Sendo assim, a intenção da diretoria beneditina é mesclar a vivência de atletas experientes com as revelações sub-20 da instituição. O goleiro Nathan, o lateral-direito Medeiros, o ala-esquerdo Rodrigo, o zagueiro Luan Sonego, o volante Ramos e o atacante Negueba foram os escolhidos como apostas de uma nova geração de “Bentinhos”. Entre os profissionais, o goleiro William Menezes, os zagueiros Dogão e Marcelo Sendeski, os laterais Alan Pires e Alison, o volante Bruno Formigoni e o atacante Bruninho já passaram pelo Azulão em diferentes temporadas e são conhecidos da torcida.

Fazer futebol de alto nível com pouca receita não é fácil. Condição que poderia ser diferente se o clube tivesse, pelo menos, os três mil sócios-torcedores que a diretoria calcula serem suficientes para a autossustentabilidade das despesas fixas (folha de pagamento de funcionários e instalações), deixando os patrocínios e outras receitas exclusivamente para contratar e pagar atletas. Mas o “cinto apertado” é o cenário atual e é dessa forma que o Azulão precisará brigar com equipes mais estruturadas. Rio Claro, XV de Piracicaba, Desportivo Brasil (Porto Feliz), Lemense (Leme) e Primavera (Indaiatuba) são os adversários da primeira fase, na qual a missão é ficar entre os dois mais bem colocados do Grupo 2 -- ou, na pior das hipóteses, ser um dos dois melhores terceiros colocados de toda a competição.

O futebol é pródigo em exemplos de que dinheiro, por si só, nem sempre leva a bons resultados no campo. Que o São Bento consiga compensar a dificuldade orçamentária com vontade, garra, responsabilidade e outros valores, contando para isso com o apoio da sua sempre apaixonada torcida, que inclusive ganhou um bom incentivo da tabela para comparecer ao estádio Walter Ribeiro:
todos os jogos do Azulão em casa, na primeira fase, foram marcados para os sábados à tarde. Quando a bola rolar, vá ao CIC, leve a família e apoie o time do seu coração.