As novas ameaças para a sociedade
O mundo ainda vive com o trauma causado pela pandemia do novo coronavírus (...) A possibilidade de uma doença pandêmica, na sequência, é aterrorizante
Uma nova doença começa a entrar no radar de milhares de brasileiros: a varíola dos macacos. As notícias sobre novos casos se espalham pelo mundo. E o temor de uma pandemia fica no imaginário de muita gente. O Ministério da Saúde informou na segunda-feira (30) que recebeu a notificação de dois casos suspeitos no Brasil. Um está sendo investigado no Ceará e o outro, em Santa Catarina. Uma terceira pessoa está sendo monitorada no Rio Grande do Sul, mas ainda não foi classificada como suspeita.
A medida de vigilância científica é importante, neste momento, para evitar o descontrole na transmissão. Casos de infecção já foram registrados em países como Portugal, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos, em maio deste ano.
A varíola dos macacos é transmitida por vírus e foi descoberta pela primeira vez em 1958, quando dois surtos de uma doença semelhante à varíola ocorreram em colônias de macacos mantidos para pesquisa. O primeiro caso humano dessa variante foi registrado em 1970 no Congo. Posteriormente, foi relatada em humanos em outros países da África Central e Ocidental.
Uma publicação recente do Instituto Butantan apresenta dados da doença. “A varíola dos macacos ressurgiu na Nigéria em 2017, após mais de 40 anos sem casos relatados. Desde então, houve mais de 450 casos relatados no país africano e, pelo menos, oito casos exportados internacionalmente”.
Segundo o instituto, entre 2018 e 2021 foram relatados sete casos de varíola dos macacos no Reino Unido, principalmente em pessoas com histórico de viagens para países endêmicos. “Mas somente este ano, nove casos já foram confirmados, seis deles sem relação com viagens”.
O surgimento de casos da varíola dos macacos coincide com a propagação de uma hepatite aguda que estava se disseminando entre as crianças. Como as fotos de pessoas com a varíola são mais chocantes, se relevou a importância da outra doença. Mas ela permanece presente e causando vítimas.
Em todo o mundo, segundo o último levantamento divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), foram 749 notificações em 33 países. 650 casos prováveis, sendo nove mortes (Irlanda, Indonésia, México, Palestina e EUA). No Brasil, o Ministério da Saúde monitora o primeiro caso provável da hepatite aguda infantil de origem desconhecida. A paciente é uma garota de 16 anos que vive em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, e apresentou sintomas como febre, pele amarelada e mal-estar no dia 3 de maio. Foi internada uma semana depois e recebeu alta no dia 13. Ela se recupera em casa e continua sendo monitorada pela Vigilância Epidemiológica.
Segundo a última atualização da pasta, até segunda-feira (30) foram notificados 94 casos suspeitos da doença; 21 foram descartados; 72 ainda estão em investigação. Entre os casos notificados há nove mortes, cinco delas já foram descartadas para o novo tipo de hepatite aguda infantil. São Paulo foi o Estado que mais registrou casos suspeitos até agora, 27 (seis descartados e 21 investigados).
O mundo ainda vive com o trauma causado pela pandemia do novo coronavírus. Foram dois anos de isolamento, milhões de vidas foram perdidas em todo o planeta e a economia nem se recuperou do desarranjo causado pela Covid-19. A possibilidade de uma doença pandêmica, na sequência, é aterrorizante.
Os casos de hepatite aguda infantil e de varíola dos macacos devem ser acompanhados de perto, monitorados caso a caso pelas autoridades de saúde. Evitar exageros e informações desencontradas é o melhor caminho para garantir a sanidade mental da população e a recuperação econômica da sociedade.