Legislação eleitoral obriga governo a fazer reforma ministerial
Ministros que deram sustentação ao governo do presidente Jair Bolsonaro vão disputar as eleições
Termina, amanhã (2), o prazo para a troca de partidos daqueles que pretendem disputar as eleições de outubro. Prazo fatal também para quem possui cargo executivo nas diversas esferas de governo deixar o posto. Essa exigência eleitoral provocou uma verdadeira reforma ministerial. Dez ministros foram exonerados ontem (31) para concorrer aos mais diversos cargos.
Ministros importantes e que deram muita sustentação ao governo do presidente Jair Bolsonaro vão agora tentar a sorte em disputas eleitorais. É o caso, por exemplo, de Tereza Cristina, na Agricultura, e de Tarcísio de Freitas, na Infraestrutura.
Tereza Cristina foi uma das gratas surpresas dessa gestão. Com seu jeito tranquilo e com pulso forte, ela conquistou cada vez mais espaço no Planalto e pacificou o campo. A produção agrícola aumentou, o dinheiro disponível para a plantio da safra foi incrementado, milhares de títulos de terra foram distribuídos e o Brasil abriu novos canais para exportação de grãos e de carnes. A ministra foi importante também durante as negociações para trazer mais fertilizantes para o País, em substituição aos produtos costumeiramente importados da Rússia e da Ucrânia, agora em guerra e, portanto, indisponíveis para o mercado mundial.
Já Tarcísio de Freitas foi o tocador de obras do governo. Liderou a duplicação de rodovias por todo o Brasil. Concluiu obras que por várias gestões ficaram abandonadas. Participou de projetos que modernizaram nossos portos e aeroportos. Arrecadou bilhões de reais em concessões para a iniciativa privada. Produziu não só na infraestrutura como ajudou a reduzir o peso do Estado no orçamento federal.
Outras exonerações serão menos sentidas no Planalto. São integrantes do grupo aliado a Bolsonaro que mais causaram polêmica do que produziram boas notícias. Nesse grupo estão o secretário especial de Cultura, Mário Frias, e o presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo. Isso sem falar na saída do ministro da Educação, Milton Ribeiro, que pediu para deixar a pasta, na segunda-feira, depois do vazamento de áudios que comprometeriam sua gestão.
Outra saída que merece destaque é a do ministro da Defesa, Braga Netto, cotado para ser candidato à vice-presidência ao lado de Bolsonaro. A troca na cadeia de comando nas pastas militares já foi realizada, embora o nome dele ainda não tenha sido oficialmente confirmado por Bolsonaro.
A estratégia política do presidente, que busca a reeleição, passa pela formação de um Senado forte, que dê mais sustentação ao governo num segundo mandato. Diante disso ele apostou em nomes de peso para disputar essas vagas. Tereza Cristina vai representar Mato Grosso do Sul. Rogério Marinho, ex-ministro do Desenvolvimento Regional, vai testar sua popularidade no Rio Grande do Norte. Gilson Machado, do Turismo, concorrerá ao cargo por Pernambuco. Flávia Arruda, da secretaria de Governo, pelo Distrito Federal. Damares Alves, do Ministério da Mulher, ainda não sabe por qual Estado concorrerá.
Bolsonaro conta também com dois nomes representativos na disputa pelos governos dos Estados. Tarcísio de Freitas será o candidato em São Paulo. E os primeiros resultados das pesquisas eleitorais demonstram um bom desempenho dele, antes mesmo da campanha começar. Situação mais difícil deve enfrentar o ex-ministro da Cidadania, o baiano João Roma. Ele vai bater de frente com seu padrinho político e ex-prefeito de Salvador, Antonio Carlos Magalhães Neto, que está disparado em primeiro lugar nas pesquisas.
Com esse arranjo político, Bolsonaro pretende ter bons puxadores de voto em todos esses Estados. O crescimento dessas candidaturas ajuda a espalhar pelo País os feitos do governo permitindo que a população tenha elementos suficientes para julgar o desempenho do presidente e decidir se ele deve, ou não, continuar no cargo.
Essa resposta nós só vamos ter depois que os votos depositados nas urnas eletrônicas pela população brasileira sejam somados. Mas aí é uma outra história.