Buscar no Cruzeiro

Buscar

No consultório

Cuidados médicos como antigamente

Com receio de contágio da Covid e para evitar hospitais lotados, atendimento médico domiciliar cresceu 40% desde o início da pandemia

27 de Abril de 2021 às 00:01
Cruzeiro do Sul [email protected]
Profissionais cubanos que participavam do Mais Médicos devem deixar o País até  12 de dezembro. Crédito da foto: Pixabay
Profissionais cubanos que participavam do Mais Médicos devem deixar o País até 12 de dezembro. Crédito da foto: Pixabay (Crédito: Profissionais cubanos que participavam do Mais Médicos devem deixar o País até 12 de dezembro. Crédito da foto: Pixabay )

Além de todas as consequências já conhecidas, a pandemia do novo coronavírus também vem causando uma mudança de comportamento curiosa no atendimento médico de outras doenças. O receio de exposição e contágio pelo novo vírus aliado à superlotação dos hospitais em praticamente todo o País tem feito os pacientes buscarem outras alternativas como o atendimento domiciliar e a telemedicina, por exemplo. De uma simples consulta médica a algo mais complexo, muitos pacientes têm optado pelo atendimento em casa no lugar de irem até consultórios ou ficarem em hospitais.

Segundo especialistas e empresas de home care, do início de 2020 até o momento, houve um aumento de 40% na procura por esse tipo de serviço, em relação aos tempos de pré-pandemia. O home care realiza desde um simples curativo até procedimentos mais complexos, passando por exames, como o de sangue.

Idosos e crianças estão entre os mais atendidos nesse modelo. Tem surgido também muitos pacientes com sequelas da Covid. Entre os especialistas mais procurados estão os geriatras, já que muitos idosos, com receio de infecção, se sentem mais confortáveis com o atendimento em casa. Com a pandemia, mesmo pessoas que estavam acostumadas a irem a consultórios e hospitais agora estão preferindo evitar tais situações.

Apesar das dificuldades como custo -- pode chegar a 50% a mais -- e localização -- nem todo lugar possui tal serviço --, os médicos são unânimes quanto aos benefícios da consulta domiciliar. Segundo eles, além do cuidado com a saúde, há o ganho emocional. Um paciente internado numa UTI fica sozinho, pois não pode receber visitas. Isso causa um sofrimento. Estando em casa, além do conforto e segurança, há o convívio com familiares, então o quadro emocional melhora muito. Tanto pacientes como familiares se sentem mais seguros, sobretudo em relação aos cuidados sanitários. O risco de infecção hospitalar praticamente deixa de existir e o risco de contágio da Covid diminui consideravelmente.

Curiosamente, essa modalidade de atendimento domiciliar, que sempre existiu na medicina, mas que perdeu espaço ao longo dos últimos tempos, agora foi retomada e volta a ganhar espaço por conta da pandemia.

Outro recurso em relação ao atendimento tem sido a telemedicina. Pesquisa feita por uma empresa de tecnologia aponta que 55% dos brasileiros já usaram consultas on-line. O mesmo estudo mostrou que quatro a cada 10 entrevistados citaram o medo para justificar a escolha.

Mas tanto o home care como a telemedicina não são amplamente disseminados entre a população por vários motivos. Entre os principais estão o alto custo e a dificuldade de acesso à internet.

Contudo, mesmo no setor público, há iniciativas interessantes. Na capital paulista, por exemplo, funciona desde o final do ano passado o e-saude sp, um aplicativo que, entre os serviços, oferece monitoramento de sintomas de Covid e teleconsultas. De acordo com a Secretaria de Saúde de São Paulo, até a metade do mês passado já havia mais de 91 mil usuários cadastrados no aplicativo, mais de 372 mil acessos contabilizados e mais de 41 mil consultas realizadas.

Assim como o médico particular, a empresa que realiza consultas domiciliares precisa estar regularmente inscrita no Conselho Regional de Medicina (CRM) da jurisdição onde atua. O home care também tem regulamentação específica pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

Evidentemente que nem todo mundo tem condições de receber um atendimento domiciliar. Na verdade, atualmente, conseguir ser bem atendido na rede pública e privada já é motivo de agradecimento. Mas que o aumento do número de atendimentos domiciliares reforce a necessidade e importância das pessoas não deixarem a saúde de lado por causa do Covid. É preciso seguir cuidando da saúde, fazendo exames e acompanhamentos necessários, para não padecer de outras doenças enquanto pensamos apenas na pandemia.