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Sondas de três países rumo a Marte

Artigo escrito por Prof. Paulo Sergio Bretones, Departamento de Metodologia de Ensino/UFSCar - câmpus Sorocaba

Paulo Sergio Bretones

No mês passado três missões espaciais foram enviadas a Marte, aproveitando a janela de lançamento, próxima à data da oposição do planeta, quando fica mais próximo da Terra e devem chegar ao Planeta Vermelho em fevereiro de 2021.

A primeira foi lançada pelos Emirados Árabes Unidos em 19 de julho, no centro espacial de Tanegashima, no Japão, pelo foguete H-IIA. A Missão dos Emirados a Marte enviou a sonda Al Amal, (Hope, em inglês, ou Esperança, em português), a primeira para outro planeta.

O objetivo da sonda é estudar a atmosfera de Marte, sua dinâmica em ciclos diários e sazonais e como varia o clima em diferentes regiões, suas causas e perda de atmosfera. Ocorre que naquele planeta existem eventos como tempestades de poeira globais, como aconteceu em 2018, interrompendo a comunicação com o rover Opportunity, da NASA.

Considerado o primeiro satélite meteorológico de Marte, a sonda poderá acompanhar o seu clima ao longo do dia todo por um ano, como explicado por Sarah Al Amiri, cientista-chefe da missão e ministra de Estado das Ciências Avançadas dos Emirados Árabes.

A principal finalidade do projeto é desenvolver o setor acadêmico do país e receber estudantes de países árabes para participarem de um programa espacial, além de comemorar o aniversário de 50 anos dos Emirados Árabes Unidos.

Desenvolvido pela agência espacial dos Emirados, no Centro Espacial Mohammed bin Rashid, de Dubai, o projeto tem parceria com as universidades americanas do Colorado, do Arizona e da Califórnia, e um custo de 200 milhões de dólares.

No dia 23 de julho, a China lançou a sonda Tianwen-1, que significa “perguntas para o céu”, pelo foguete Long March 5, ou Longa Marcha, na ilha de Hainan. O equipamento tem três partes: um orbitador para obter imagens e dados, girando ao redor de Marte; um módulo de aterrissagem e um rover, um robô com controle remoto para analisar o solo do planeta, com o uso de energia solar e pesando cerca de 240 quilos. A missão pretende estudar os campos gravitacional e magnético de Marte, sua estrutura geológica, morfologia, características do solo, composição da sua superfície, ionosfera e clima.

Há anos a China se esforça para chegar a Marte. A primeira tentativa não deu certo em 2011. Após o lançamento com a nave russa Fobos-Grunt os acionamentos do motor não ocorreram para sair da órbita da Terra.

No dia 30 de julho, a NASA lançou, com um foguete Atlas V, da base de Cabo Canaveral, na Flórida, nos Estados Unidos, a missão Mars 2020, levando o rover Perseverance e o pequeno helicóptero ou drone Ingenuity. O Perseverance, ou Perseverança, é um robô de seis rodas, o quinto enviado pela NASA com a finalidade de buscar evidências atuais de vida em Marte e registros de fósseis de bactérias muito antigas. Planejado para pousar na cratera Jezero, com 40 km de diâmetro e 500 m de profundidade, que teria sido um lago há bilhões de anos atrás, um lugar com maior chance de ter evidências, caso tenha existido vida por lá. Com um braço mecânico, 23 câmeras e microfones, o Perseverance deverá coletar amostras do solo de Marte e trazer para estudos na Terra.

O Ingenuity é outra façanha da tecnologia, com hélices duplas girando com alta velocidade para voar em planeta com atmosfera rarefeita e menor que 1% da pressão atmosférica da Terra. O nome em português parece significar “ingenuidade”, mas em inglês significa talento, habilidade ou capacidade de invenção.

O Perseverance fará experimentos em cerca de 687 dias terrestres, ou um ano marciano, parecido com o rover Curiosity, da NASA, que pousou lá em 2012 e com recursos mais avançados. Também pode contribuir para missões tripuladas no futuro. Com cerca de uma tonelada, a missão é parceria da NASA com a ESA (Agência Espacial Europeia), com o custo de 2 bilhões de dólares ou 14 bilhões de reais.

Desde os anos 1960 foram lançadas mais de 40 missões para Marte e cerca da metade chegaram com sucesso. As missões espaciais sempre incentivam jovens, tecnologias, estudos, cooperações e seus gastos são questionados.

Estudos das características e condições do planeta Marte nos levam a refletir sobre a valorização do nosso planeta e o cuidado que precisamos ter, principalmente no contexto atual, para a preservação do meio ambiente e da vida na Terra. Então, juntando os nomes, esperamos que tudo dê certo fazendo perguntas para o céu, com habilidade, perseverança e esperança!

Prof. Paulo Sergio Bretones – Departamento de Metodologia de Ensino/UFSCar – câmpus Sorocaba.

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