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Rezar

Artigo escrito por dom Julio Endi Akamine, arcebispo metropolitano de Sorocaba

Dom Julio Endi Akamine

Você reza? Reza somente para você ou reza também pelos outros?

A oração é a primeira tarefa do cristão. É um verdadeiro trabalho da alma e do corpo e como que um ofício para o cristão. Os Padres do deserto dizem: “Não há cansaço maior que rezar a Deus. A oração exige luta até o último respiro”. Como seria bom se a oração fosse nosso último respiro nesta vida!

A oração, quando não pede para si mesmo mas para os outros, chama-se intercessão.

Interceder pelos outros nos coloca no ponto alto do amor porque é uma ação totalmente gratuita. São João Crisóstomo diz: “Rezamos por nós mesmos porque somos obrigados pela necessidade. Rezamos pelos outros porque somos movidos pela caridade. Agrada mais a Deus a oração que é motivada pela caridade”. De fato, a intercessão brota do amor e conduz a um amor ainda maior.

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Devemos sempre rezar por todos, pelos vivos e pelos defuntos, sem deixar ninguém de fora da nossa intercessão junto a Deus.

Quando intercedemos pelos outros criamos uma ponte entre o céu e a terra, entre Deus e aqueles pelos quais rezamos. Abraão intercedeu pelos habitantes de Sodoma; Moisés intercedeu pelo povo peregrino no deserto. Interceder é se tornar amigo de Deus. A intercessão nos torna amigos de Deus e em nome dessa amizade podemos “lutar” com Deus para pedir misericórdia e compaixão para os pecadores.

“Rezamos uns pelos outros” (Tg 5,16) e elevamos preces e súplicas “por todas as pessoas” (1Tm 2,1), obedecendo assim a vontade de Deus que “quer que todos sejam salvos” (1Tm 2,3).

Todos nós somos convidados a interceder com o espírito de Jesus. Com efeito, quem intercede amplia o alcance da própria oração e alarga o próprio coração e mente com as dimensões da Igreja e do coração de Deus. Rezar pelos vivos e falecidos faz com que a nossa oração adquira as dimensões da oração universal da Sexta-feira Santa.

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Gostaria de convidar você a fazer duas orações de intercessão. Uma intercessão pela paz no mundo e outra intercessão pelos que já morreram.

A intercessão dos cristãos deve, nos tempos de hoje se voltar, com mais insistência para a paz. Ao ver como os conflitos crescem, nós reagimos ainda mais fortemente intercedendo pela paz. A intercessão é nossa arma contra as guerras. Intercedemos para que cessem as guerras, para que os violentos se convertam, para antecipar o que Jesus nos prometeu: o dia em que haverá um só rebanho apascentado por um só pastor.

A oração pelos falecidos brota da nossa fé na ressurreição e se dirige a Deus que é Senhor dos vivos e dos mortos. Intercedendo pelos falecidos, testemunhamos e como que tornamos visível a comunhão dos santos. Estamos todos unidos a Cristo e, por esse vínculo, estamos unidos entre nós, também com os que já morreram.

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O intercessor por excelência é Jesus que, no alto da cruz, suspenso entre o céu e a terra, de braços e coração abertos, intercedeu por todos nós. Na cruz ele intercedeu pelos vivos e converteu o bom ladrão para levá-lo com Ele. Descendo à mansão dos mortos, Jesus intercedeu por todos os falecidos, inclusive Adão e Eva, e os resgatou para o seu Reino. Esse é o poder infinito do nosso Intercessor Jesus.

Dom Julio Endi Akamine é arcebispo metropolitano da Arquidiocese de Sorocaba.

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