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Projeto urbanístico das calçadas e as estações BRT

Sérgio Reze com Sandra Lanças

As intervenções para as obras do BRT na avenida Itavuvu — o primeiro corredor da Zona Norte de Sorocaba a receber o sistema de ônibus rápido, o segundo será a avenida Ipanema em data ainda incerta para o início das obras estão em andamento e se os prazos forem cumpridos estarão concluídas em abril de 2019.

Nesse período, com muito sacrifício, a população terá de ter paciência com as obras que serão realizadas em trechos de 300 metros, até se completar os 5,9 quilômetros de extensão do BRT nessa via, onde haverá 10 estações de embarque e desembarque, duas estações de transferências, e um terminal ainda em local indefinido — uma vez que na rua Antônio Silva Saladino ele não será mais implementado.

Depois será a vez das intervenções no Corredor Ipanema do BRT, que terá 6,5 quilômetros de extensão, com 9 estações de embarque e desembarque, uma estação de transferência, e um terminal na rua Comendador Genésio Rodrigues. Os comerciantes, liderados pela Associação Comercial de Sorocaba, estão acreditando que vai valer a pena o sacrifício a que estão sendo submetidos no decorrer das obras, afinal, não há progresso sem esse breve transtorno.

A qualidade de vida do cidadão é o que está em jogo uma vez que o tempo do trajeto que o usuário fica dentro do ônibus será reduzido. Por exemplo, quem embarca no bairro Vitória Régia (um dos mais populosos da Zona Norte) para chegar ao centro de Sorocaba leva atualmente cerca de 1h10 dentro do ônibus para chegar ao centro e, com o BRT, passará a levar apenas 25 minutos, ou seja, ele ganha por viagem 45 minutos de tempo livre para fazer o que deseja. Isso, sem dúvida, é qualidade de vida.

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As avenidas Itavuvu e Ipanema, com a obra do BRT, ganharão novo asfalto e ônibus mais confortáveis, incluindo o Wi-fi livre para os passageiros usarem sem custo a internet em seus smarthphones.

O Saae modificou tubulações de água e esgoto e a CPFL os cabos de energia no trecho das obras. O novo sistema, de ônibus rápido, é uma promessa de que o cidadão poderá deixar o carro na garagem e andar de BRT, uma vez que o transporte público se apresentará como boa alternativa para que isso possa acontecer.

Esse é o sonho que o prefeito Crespo, o consórcio que vai operar o BRT e os técnicos envolvidos nesse projeto estão vendendo à população. Todos têm credibilidade para alimentar em nós, cidadãos, que tudo será melhor. Mas, nesse momento, um pouco mais de transparência viria a calhar e ajudar cada um de nós a ter uma visão mais completa de como será a Zona Norte depois de prontas essas obras.

Por exemplo: apenas no trecho da avenida Itavuvu (a única em obras no momento) foram (ou vão ser) retiradas 778 árvores, conforme dados do Conselho Municipal do Meio Ambiente, com a assegurada compensação de que serão plantadas novas 10.500 árvores. Ótimo. O progresso exige sacrifício. Mas em qual local serão plantadas essas mais de 10 mil novas árvores? Que árvores serão plantadas? Qual o tamanho delas? Serão mudas de alguns míseros centímetros?

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Outra resposta urgente precisa ser dada pela prefeitura: nas calçadas das laterais das duas avenidas da Zona Norte (Itavuvu e Ipanema), onde estará implementado o BRT, haverá o plantio das árvores da compensação ambiental?

Sem resposta a essa questão até o momento, nós da Associação Comercial de Sorocaba deixamos aos responsáveis pelo BRT, incluindo o prefeito, a sugestão de que estas árvores sejam prioritariamente plantadas ao longo dos eixos viários originais da supressão, de acordo com projeto urbanístico do passeio público com mobiliário urbano adequado à acessibilidade, higiene e da arborização urbana adequada às calçadas laterais de cada avenida; que estas mudas sejam de espécies nativas, de altura mínima de 1,50m — para assegurar sua sobrevivência), pois entendemos que são duas avenidas comercialmente importantíssimas para a população local, para os comerciantes e para a Associação Comercial de Sorocaba.

O projeto urbanístico e a arborização das calçadas das avenidas Ipanema e Itavuvu, se bem projetado e executado, só vão trazer benefícios para a nossa população.

Aceitamos que o BRT significa mais qualidade de vida, porém isso só estará completo se as calçadas também forem contempladas nas duas avenidas, padronizando-as e adequando-as para propiciar o aumento de número de comércios de pequenos portes, bem estruturados para atender um fluxo de pedestres, ciclistas e usuários que vão acessar os ônibus BRT. Falamos de áreas com segurança e agradabilidade para convivência social.

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É evidente que tais detalhes vão proporcionar o aumento das atividades e transações comerciais na medida em que o aumento da segurança cívica levará a esses locais mais fluxos de pessoas e o monitoramento poderá inibir ações criminais (delitos, drogas). É importante, ainda, lembrar que na questão da agradabilidade proporcionada pelo sombreamento e efeito estético do verde e floradas das árvores (pontualmente e ao longo do percurso) levará à diminuição e prevenção dos índices de poluição particular, sonora, etc proporcionada pela arborização urbana, aumentando a qualidade do ar. Essa condição, ainda, ajuda a prevenir ocorrências de doenças causadas pelos barulhos e partículas poluidoras à população.

Portanto, o acesso ao projeto urbanístico das calçadas ao longo de todas as estações BRT, é algo que deve ser tornado público imediatamente. É urgente que a população saiba o que está sendo previsto para intervenções tão severas e importantes. Nós da Associação Comercial de Sorocaba estamos certos de que os envolvidos no BRT podem informar o que está projetado para a nova Zona Norte que nasce dessa intervenção.

Sérgio Reze é presidente da Associação Comercial de Sorocaba e Sandra Lanças, arquiteta e urbanista, membro do Conselho Consultivo da Associação Comercial de Sorocaba, eixo ambiental.

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