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Primavera, a estação do pólen

Com a chegada da primavera, aumenta o número de casos de alergia respitatória

A primavera é a estação das flores. Por isso, o pólen fica suspenso no ar, sendo levado pelas correntes ou disseminado pelos insetos. A concentração é imensa, afetando os portadores das formas respiratórias de alergia. É a época da “saudação alérgica”, quando o indivíduo empurra a ponta do nariz para cima com a palma da mão, na tentativa de aliviar os sintomas da rinite. Também é o retorno das crises de asma ou bronquite alérgica, após uma longa pausa durante o ano. Mais raramente surgem outras formas de alergia, como a dermatite atópica, eczema ou urticária, etc.

No Brasil, 30 milhões de pessoas sofrem de alergia, sendo 30% de rinite alérgica, 15% de asma brônquica e 6% de eczema ou dermatite atópica. Em 85% dos casos a alergia tem início nos primeiros cinco anos de vida, progredindo pelo resto da existência através da marcha alérgica, com variações e alternâncias dos órgãos comprometidos.

Assim, a alergia alimentar dos primeiros meses de vida é substituída pela asma, que cede lugar à rinite, para depois retornar à dermatite e fechar o ciclo vicioso. Na maioria dos casos, rinite e asma são despertadas por substâncias inalantes, enquanto a dermatite é desencadeada por ácaros e alimentos. A alergia ao pólen é típica de clima temperado, sendo mais frequente na região sul do país. Em São Paulo é encontrada nas regiões montanhosas, como Campos de Jordão.

O pólen das gramíneas (gramas, milho, etc) tem um papel destacado na precipitação das crises, o mesmo ocorrendo com as sementes oleaginosas (mamona, algodão, café verde, girassol, linho, amendoim, gergelim e soja). Da mesma forma, as farinhas de trigo, milho, aveia, centeio e cevado podem desencadear crises de asma ou rinite. Na América do Norte, o pólen da bétula e ambrósia é fonte principal de poluição ambienta! Os fungos (Cladosporium e Aspergillus) têm um papel fundamental na alergia sazonal da primavera, causando a alergia respiratória. Assim, o “gatilho” da asma são os esporos, porém, outras partículas (micélios) podem ter atividade alergênica.

No ambiente natural as pessoas estão expostas a mais de cem espécies de fungos, respirando de forma continuada esses poluentes. Entre nós, o fungo do café (ferrugem do café) tem um papel de destaque. A rinite alérgica da primavera afeta 15% da população, surgindo crises de espirros, coriza (corrimento nasal), coceira e obstrução das narinas. O prurido nasal leva o indivíduo a coçar, esfregar e até a machucar o nariz, num esforço de obter alívio, enquanto o corrimento nasal (rinorréia) parece um resfriado crônico que não tem fim.

Na tentativa de melhorar o problema, o portador recorre ao uso repetido da “bornbinha” nasal, que piora a rinite, eternizando a obstrução. O primeiro indício de asma é o chiado no peito, vindo, depois, a falta de ar, roncos, sibiles, tosse e obstrução dos brônquios. Às vezes, a única manifestação de asma brônquica é a tosse, que desafia todos os xaropes.

Para o diagnóstico de alergia respiratória deve-se fazer os testes de sensibilidade, como o cutâneo (puntura ou RAST, dosagem de anticorpos IgE), teste de provocação nasal ou exposição aos polens e fungos alergizantes. Os extratos de fungos são obtidos por cultura e cada fungo pode conter mais de 60 antígenos.

Feito corretamente o diagnóstico, o tratamento visa evitar a exposição ambiental (controle), além do uso de medicamentos (anti-histamínicos, descongestionantes, corticóides nasais ou sistêmicos), imunoterapia (dessensibilização) e até cirurgia (rinite).

Assim, com a chegada da primavera aumenta o número de casos de alergia respiratória, principalmente a rinite, que pode ser identificada pela saudação alérgica. Os portadores de alergia têm maior sensibilidade ao pólen. Por isso, todo cuidado é pouco, pois na primavera o pólen está no ar.

Artigo extraído do livro Doenças – Conhecer para prevenir (Ottoni Editora), de autoria do médico Mário Cândido de Oliveira Gomes, falecido aos 77 anos, no dia 6 de junho de 2013.

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