Artigos

Prédios icônicos

Precisamos inovar para competir com as outras cidades do mundo, principalmente americanas e chinesas

Cidades têm ganhado importância no contexto global. As grandes organizações não buscam países, na escolha de novas plantas e investimentos, e sim cidades. Várias são as avaliações no momento de decisão, e qualidade de vida está, certamente, entre os quesitos.

Claro que na competição é fundamental o investimento e a preparação das cidades em infraestrutura, mobilidade, simplificação de processos, diminuição na burocracia e, principalmente, no uso da tecnologia para melhorar a vida de seus cidadãos.

Mas, também, precisamos divulgar nossas cidades, incentivando o turismo e mostrando a evolução e modernidade nas obras e na construção. Exatamente o que tem feito os Emirados Árabes, o Burj Khalifa, em Dubai, com seus 828 metros, é hoje o prédio mais alto do mundo. E já estão construindo um novo edifício com 1 km de altura.

Cidades asiáticas fazem o mesmo com a disputa pelo prédio mais alto, às vezes nas próprias cidades, como Hong Kong, onde a disputa entre prédios, de empresas da área financeira, são notórios e com detalhes interessantes.

Mesmo a Europa, com toda a história e antiguidade de suas cidades, tem edifícios e construções de quase 400 metros de altura. Nos Estados Unidos também existe a disputa, entre as cidades de Nova Iorque e Chicago, na construção de prédios mais altos e também na beleza arquitetônica de seus edifícios.

Enquanto isso em nosso país, onde, no meio do século passado, tivemos alguns edifícios, na cidade de São Paulo, imponentes para a época como o Terraço Itália, Edifício Martinelli e poucos outros que não chegam nos 200 metros de altura.

A cidade de Camboriú, no Estado de Santa Catarina, decidiu liberar a construção de edifícios mais altos, na orla marítima, e tem sido alvo de várias críticas, por urbanistas, e até mesmo pelo possível impacto na vida oceânica com o sombreamento que tem causado em alguns períodos do dia.

Nossos planos diretores, em várias regiões do País, limitam a altura das obras em 28 metros com uma visão de diminuir o adensamento e buscar criar em nossas cidades cópias de cidades europeias.

Precisamos inovar para competir com as outras cidades do mundo, principalmente americanas e chinesas. Não estou defendendo liberar, em todas as cidades e de forma indiscriminada, a construção de arranha-céus, mas podemos copiar modelos, que deram certo em outras cidades de sucesso do mundo, e adequar à nossa realidade.

Acredito que as cidades, com mais de 500 mil habitantes, poderiam delimitar uma pequena área, em um ponto central, elevado da cidade e sem impacto no tráfego aéreo, desapropriar o terreno, para evitar a polêmica de premiar o proprietário destas áreas em detrimento de toda a cidade, e com uma licitação identificar um projeto arquitetônico para encontrar uma empresa que melhor ofereça condições para as cidades.

Poderemos, dessa forma, construir prédios altos e icônicos, levando a divulgação de nossas cidades para todos os cantos do globo, criando, além de uma imagem de modernidade, pontos turísticos.

Quando visitamos cidades que não conhecemos, os edifícios mais altos são, normalmente, incentivados a serem conhecidos, pois oferecem uma visão panorâmica da cidade além de bares e restaurantes em seus andares mais altos.

Enquanto os países gastam riquezas, são as cidades que as geram. Portanto, precisamos criar formas de divulgá-las no contexto global na busca por investimento e geração de empregos. Prédios altos e icônicos, certamente, transmitem sinais de evolução e modernidade.

Flavio Amary é presidente do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP) e reitor da Universidade Secovi — famary@uol.com.br

Comentários