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Os segredos da redação nota mil – parte 2

Procure cronometrar a produção, do rascunho ao texto final. No Enem, ela não deve ultrapassar uma hora e dez minutos

João Alvarenga

Neste artigo, abordarei o método “Kaizen Textual” que, há anos, apresento aos estudantes como uma ferramenta que ajuda a ‘destravar’ a escrita, principalmente daqueles que não conseguem passar para o papel, de forma clara, os argumentos necessários para se produzir um bom texto. Além de leitura, isso exige rigor, disciplina combinada com prática contínua. Ou seja, a essência do Kaizen Textual.

Antes, é necessário fazer uma breve contextualização: a expressão Kaizen — na verdade tem sua origem no idioma japonês — Kai (mudança) e Zen (melhor). Termo que designa, em bom português, mudança para melhor. Tomei contato com tal vocábulo nos idos de 90, durante uma palestra sobre reengenharia industrial, no Colégio Politécnico de Sorocaba.

Embora tal conceito tenha surgido no Japão, no pós-guerra, por inspiração dos professores Karou Ishikawa e Masaaki, e serviu de base para a retomada da economia nipônica, o Brasil só tomou conhecimento da existência desse método quarenta anos depois. Isso devido à globalização — com a abertura da economia mundial — e à necessidade do empresariado brasileiro rever suas relações de produtividade, a fim de ganhar competitividade com o mercado externo.

Talvez, o leitor questione: até que ponto isso se relaciona à ideia de fazer uma boa redação nos vestibulares e, também, no Enem? A resposta é simples: adaptei o referido termo (que na época era mais voltado à indústria) ao universo da produção de textos, a partir de um ajuste técnico dos ‘5 S’, a fim de construir uma redação que atenda às exigências determinadas pela régua de correção da prova.

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Após essa explicação, acompanhe, a seguir, o passo a passo dessa estratégia, que visa, de certo modo, transmitir maior confiança àqueles que se sentem inseguros na hora de escrever. No entanto, esse método não é uma receita de bolo, mas uma maneira prática de desenvolver uma redação. Assim, considere a situação: você terá que fazer uma redação argumentativa sobre como conciliar a preservação ambiental com o crescimento do agronegócio?

Apesar de ter pesquisado sobre o assunto, você não sabe como começar o texto, pois tem muita informação. O segredo é fazer um ‘rascunhão’, a lápis, sem se preocupar com formalidades gramaticais. Ou seja, colocar, no papel, tudo o que achar pertinente sobre o tema. Mas, o texto final não deve ultrapassar o limite de trinta linhas.

A partir disso, siga o esquema: Primeira etapa, o Seiri (Descartar). Nesse momento, faça uma leitura crítica do rascunho para cortar a ‘gordura’, como repetição de palavras, de expressões ou ideias; na segunda etapa, o Seiton (Arrumar), deverá organizar a estrutura da redação com foco na tese, causa, consequência e conclusão, além do número de linhas por parágrafo.

Na terceira etapa, o Seiso (Limpar), é imperativo reler a produção, a fim de verificar: acentos, crase, sinais de pontuação, ausência de conectivos, erros de concordância e de regência ou excesso de vírgulas. Na quarta etapa, o Seiketsu (Higienizar), passar o texto a limpo, na folha oficial, para ser encaminhado à banca. Caso necessário, dar um título à redação (no Enem, é facultativo).

Por último, temos a quinta etapa do processo, o Shitsuke (Disciplinar) que, no fundo, consiste na repetição contínua de todas as etapas anteriores, a cada nova proposta de redação, até que isso seja incorporado naturalmente. Outra dica: procure cronometrar a produção, desde o rascunho até o texto final. O ideal, segundo alguns professores, é que o candidato não ultrapasse o tempo de até uma hora e dez minutos na produção do texto, principalmente no Enem. Assunto da próxima quinzena: a importância dos conectivos. Até lá!

João Alvarenga é professor de Língua Portuguesa, mestre em Comunicação e Cultura, produz e apresenta, com Alessandra Santos, o programa Nossa língua sem segredos, que vai ao ar pela Cruzeiro FM (92,3 MHz), às segundas-feiras, das 22h às 24h.

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