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Onde vive a humanidade?

Beatriz H. Martins
com Paula G.F. Souza e Ana C. Fegies

Toda primeira segunda-feira de outubro a Organização das Nações Unidas promove o Dia Mundial dos Habitats, que teve sua primeira edição em 1986. Esta data é comemorada ao redor do mundo com atividades que avaliam o impacto da urbanização no ambiente. O Brasil sediou o evento em duas edições: em 1995, em Curitiba, com o tema “Nossos bairros”; e em 2003, no Rio de Janeiro, com a questão da “Água e Saneamento para cidades”.

Este ano a cidade anfitriã foi Yaoundé, em Camarões, na África. O enfoque escolhido, não poderia ser mais atual: “Fronteira Tecnológica como uma ferramenta inovadora para transformar desperdício em riqueza”. Esse tema aborda como podemos interagir melhor com o meio ambiente, que pertence a todos nós. A responsabilidade de moldar o futuro das cidades é coletiva e, portanto, também é sua.

A proposta deste ano é transformar desperdício em riqueza e os exemplos são muitos. Podemos citar a cidade de Saitama no Japão, onde os moradores já têm o costume de separar corretamente seus resíduos. Os não recicláveis são encaminhados para gerar energia para cidade e a sobra da queima é destinada para outros fins, como a fabricação de asfalto. Somente 4% do total não é aproveitado.

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Mas porque você deve se preocupar com o habitat? Habitat não é apenas onde o passarinho faz ninho, é também onde você vive. Afinal, como a tecnologia pode tornar o habitat mais saudável para sua vida? Pense, por exemplo, em alguém que não tem acesso a rede de esgotos ou ainda à água potável, e por isso fica doente. Estando doente, vai ao médico, que além de tratar o sintoma, também concede alguns dias de afastamento. O remédio trata o sintoma, mas voltar ao ambiente contaminado não permite que a pessoa melhore. Uma criança na mesma condição, deixa de ir à escola, e mesmo quando vai, não consegue prestar atenção. Sendo assim, a pessoa não produz, e ainda requer serviços de saúde, que poderiam ser resolvidos com o acesso à água potável, coleta e tratamento de esgotos. Ou seja, tecnologias que podem melhorar ambientes.

Frequentemente somos questionados se ser a favor do meio ambiente é ir contra o desenvolvimento. No entanto, desenvolver tecnologias que agridam menos o ambiente é mais vantajoso para a sociedade. Certamente queremos tecnologias que possam melhorar processos, reduzir custos e gerar empregos, mas que considerem a qualidade de vida das pessoas e a proteção dos habitats. Esperamos que desastres ambientais não aconteçam por falta de técnica, instrução ou até mesmo ética, como os casos brasileiros de rompimentos de barragens, ou o acidente radioativo em Goiânia. Esperamos melhores habitats, porque esperamos mais direitos básicos, mas também esperamos mais de você.

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Talvez os últimos exemplos levem você a pensar que essa responsabilidade é exclusiva dos gestores públicos, mas não é. Todos devemos agir, por menores que sejam nossas ações. A ativista ambiental sueca, Greta Thunberg, tem questionado nossas atitudes em relação à crise climática global e compara nosso planeta com uma casa em chamas. O que você faria se fosse sua casa? “Colocaria todos em segurança e ligaria para os bombeiros?”, ou “pensaria o quão bom seria reconstruí-la?”.

Geralmente, pensamos que vivemos em nossa casa, mas nós somente moramos nela. A nossa vida depende da água potável, do ar limpo, da comida e de roupas que exigem um meio ambiente de qualidade. A humanidade vive em praticamente todo o planeta Terra e nós só temos ele. A responsabilidade sobre o ambiente é nossa e deve ser pensada continuamente em nosso dia a dia. Assim sendo, perguntamos: O que você tem feito para melhorar seu habitat? A sua casa, seu bairro ou sua cidade?

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Beatriz Helena Martins, (beatriz.h.martins@unesp.br), Paula Gonçalves da Fonseca e Souza (paula.souza@unesp.br) são graduandas em Engenharia Ambiental na Unesp-Sorocaba. Ana Cláudia Fegies, é bióloga e mestre em Diversidade Biológica e Conservação e também é graduanda de Engenharia Ambiental na Unesp-Sorocaba (ana.fegies@unesp.br).

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