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O turismo e as oportunidades pós-crise

Artigo escrito por Rafael Almeida, empresário da área de Turismo

Rafael Almeida

Em meio a uma situação jamais vista e enfrentada pela nossa geração, com uma pandemia capaz de paralisar o mundo e cuja extensão e impacto sanitário e econômico ainda são incertos, qual deve ser a postura adotada pelos empresários que têm investimentos e negócios voltados para o turismo, um dos segmentos mais impactados nesse tipo de crise?

O isolamento social é uma medida necessária para proteger a população, e não por acaso temos visto campanhas lideradas até por grandes operadores do setor, como a CVC, e pelo Ministério do Turismo viralizando nas redes sociais ao pedirem para que as pessoas fiquem em casa neste momento e adiem seus planos de passeio.

Com nove feriados nacionais no horizonte, sendo seis deles prolongados, que favoreciam as viagens para destinos domésticos, havia uma expectativa de resultados muito positiva para 2020. Agora, o mais importante é se concentrar em preservar empregos, afrouxar a rédea dos investimentos e repensar as estratégias, com iniciativas e ações focadas no amanhã.

É encarar essa realidade difícil e desafiadora no presente – com hotéis, parques e serviços fechados – para se preparar para a retomada.

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E um dos destinos no Estado de São Paulo hoje com o maior potencial de atrair os turistas neste cenário, pensando no curto prazo, é Olímpia, cidade de 54 mil habitantes que recebeu só no ano passado 3 milhões de visitantes, mais de 90% vindos da capital e região metropolitana.

Conhecida nacionalmente pelos parques de águas quentes, Olímpia tem apresentado, nos últimos anos, uma expansão muito acelerada de sua rede hoteleira e de diversificação das opções de lazer e entretenimento para reter os turistas.

É o único destino no Estado com pelo menos três grandes atrações consolidadas – Thermas dos Laranjais, Hot Beach e Vale dos Dinossauros – e que ganhará o reforço de mais duas neste ano – o Museu de Cera e o Bar de Gelo.

A cidade possui 26 mil leitos e, com os projetos já em desenvolvimento, deve atingir em poucos anos mais de 35 mil leitos e 6 milhões de visitantes, segundo as estimativas da Prefeitura. Só o que recebe hoje representa mais de 10% de todas as pessoas que circulam a passeio pelo Estado. O turismo já corresponde a 70% do PIB do município.

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Mas por que Olímpia? Que diferenciais a cidade tem para ser o motor do turismo paulista neste “mundo pós-coronavírus”? Cabe tamanho otimismo? A resposta é sim.

Primeiro, pela localização. Olímpia está situada no centro-norte do Estado, região que concentra uma enorme população no raio de 450 quilômetros, o que facilita as viagens de carro, meio mais barato de viajar – algo que será considerado pelas famílias, que estarão com o orçamento apertado.

A vasta rede hoteleira também possibilita à cidade se adequar a todos os bolsos. Além disso, há resorts com apartamentos no padrão americano, com capacidade para abrigar até sete pessoas, o que ajuda a otimizar custos e certamente será um forte impulsionador.

A chegada de grandes redes de restaurantes também amplia as opções de alimentação aos turistas para além do que os pacotes dos hotéis já oferecem. Sem contar a sinergia entre hotéis e parques na oferta de descontos – prática que já existia, mas que deverá ser ainda mais agressiva com a reabertura, reduzindo ainda mais o custo do passeio.

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Até mesmo o fato de os parques aquáticos serem espaços abertos e submetidos a um rigoroso e diário tratamento da água, somada à falta de evidências de que o vírus sobreviva ao cloro das piscinas, concorre para a ideia de que Olímpia oferecerá um ambiente mais seguro e, portanto, mais atraente para o turista no momento em que for definir o destino de sua próxima viagem.

E, aos empresários, fica a reflexão: aqueles que souberem usar esse período de “arrumação da casa” e redirecionarem as suas estratégias para Olímpia, investindo em publicidade e em comunicação, associando-se a projetos em andamento ou introduzindo novas ideias, farão um excelente negócio. A hora de pensar nisso é agora.

Rafael Almeida é empresário da área de Turismo

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