O custo implícito da liderança

Por

Geraldo Bonadio

Você se alegra quando a vida coloca em suas mãos uma parcela de poder. Exercer liderança na família, no trabalho, no grupo de amigos são situações que o satisfazem e inflam seu ego. É natural que assim seja. Desfrute, sem sentimento de culpa, o contentamento que o viver em situação de destaque lhe proporciona.

Tenha em mente, nesses momentos de ufana ventura que, a exemplo de todas as demais moedas, também a do protagonismo tem duas faces. Da proeminência grupal derivam responsabilidades; do comando de uma estrutura, formal ou informal, promanam obrigações. Todo bônus carrega um ônus dentro de si. Acolher aquele e descartar este seria ótimo se fosse possível, mas não é.

A liderança no grupo de amigos implica em mostrar-se solidário com aqueles que o integram, quer soprem ventos bons ou ruins. Em situações ambíguas, cabe a você aclarar dúvidas, identificar as vantagens e riscos implícitos nas decisões coletivas, alertar para os dissabores eventuais de uma opção que todos os outros consideram satisfatória e isenta de riscos.

Natural ou situacional, a liderança familiar lhe impõe abrir os olhos dos parentes e agregados para as encrencas nas quais podem se enfiar quando acolhem, em seu seio, pessoas cativantes envolvidas numa penca de malfeitos.

Dirigir uma empresa ou presidir um sindicato associa a eventuais benesses o dever de implementar decisões amargas, evitando que os fartos sorrisos do agora tenham como preço a pagar o ranger de dentes amanhã.

Acolha com alegria a popularidade. Faça-o consciente de que o doce sabor do agora exigirá, amanhã, se a irrelevante marola do presente virar tsunami, destemor e fortaleza para aguentar a retranca.

"Ai do pastor de nada que abandona o rebanho!"

Zacarias 11:17

Tradução Ecumênica da Bíblia

Geraldo Bonadio é jornalista. geraldo.bonadio@gmail.com