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Mobilidade urbana e as restrições ao transporte de carga no Centro

José Geraldo Vidal Vieira 

A população cresce, novos produtos e serviços surgem, muitos deles localizados em regiões centrais onde se aglomera grande parte da população. Com isso, há uma crescente demanda por transporte/recebimento de carga nessas regiões centrais, além de um crescimento de pequenas lojas onde é vendido “de tudo”. O centro de Sorocaba também sofre com essas demandas. Essa movimentação de carga tem impacto negativo na vida das pessoas que ali transitam, pois se observa um crescimento de congestionamentos, acidentes de tráfego e poluição. Essa movimentação de carga traz desafios logísticos para as empresas de transporte e para os varejistas durante o recebimento das mercadorias, conforme mostra o artigo “Desafios na entrega e recebimento de mercadorias no centro de Sorocaba” publicado no Cruzeiro do Sul no dia 12 de setembro de 2016. Os gestores públicos também enfrentam o desafio de planejar e controlar o tráfego, prover infraestrutura adequada, que tem se mostrado ineficiente diante dessas mudanças, além, é claro, de harmonizar os diferentes interesses das empresas e residentes no espaço público.

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Na tentativa de conter este caos, os gestores estabelecem regras locais, normalmente zonas de restrição de acesso aos veículos pesados de carga, janelas de tempo de entrega, restrições de tamanho e peso de veículos. Porém, estas regras estão em constante estado de obsolescência. A pesquisa publicada na edição do dia 30 de junho de 2017 pelo jornal Cruzeiro do Sul “Diagnóstico das entregas e recebimentos de mercadorias no centro de Sorocaba”, mostra as regiões Nordeste e Noroeste com maiores problemas para o recebimento de mercadorias, segundo os varejistas e os transportadores que realizam entregas nestes locais. Uma pesquisa, em andamento, que será concluída até o final 2018 tem por objetivo analisar a relação entre o número de vagas de carga/descarga e a quantidade de carga demandada pelos varejistas destas regiões. A pesquisa mostra uma desproporção entre o número de estabelecimentos, que recebem um elevado número de viagens de carga diariamente, e o número de vagas para carga e descarga de mercadorias.

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Para se ter uma ideia, na região Nordeste (que englobam os pontos de referência Catedral metropolitana, Praça Artur Farjado, Grand Hotel Royal e Mercado Municipal) concentram-se cerca de 400 pequenas e médias lojas de varejo que demandam mercadorias de seus fornecedores diariamente, e existem apenas nove locais para carga e descarga de veículos (que são permitidos transitarem durante o dia), a maioria destas permite a parada de apenas um veículo de carga. Embora seja uma região de alta densidade populacional, em que grande parte não é permitida a entrada se quer de veículos, espaços próximos poderiam ser alocados e as mercadorias poderiam ser distribuídas por meio de veículos não motorizados como carrinhos, bicicletas, ou até mesmo à pé.

Por outro lado, na região Noroeste, que abrange o polígono Av. Dr. Afonso Vergueiro, R. Eugênio Salermo, R. Manoel José da Fonseca e R. Francisco Scarpa, concentram-se cerca de 200 pequenas e médias lojas de varejo e apenas 4 locais para carga e descarga. Embora esta não seja uma região com intensa movimentação de pedestres, comparada à região Nordeste, apresenta alto fluxo de veículos de carga que abastecem lojas nesta região, incluindo lojas do Sorocaba Shopping.

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Espera-se que os resultados dessa pesquisa possam servir para direcionar políticas públicas que minimizem os impactos negativos gerados pela movimentação de carga na qualidade de vida dos residentes e daqueles que ali transitam.

José Geraldo Vidal Vieira é professor do Departamento de Engenharia de Produção da UFSCar/Sorocaba — Experiência em Logística Urbana

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