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Mantenha o autocontrole

Geraldo Bonadio

As emoções são componente essencial do nosso ser. A bem da convivência com os que se acham à nossa volta, devemos administrá-las com cuidado. Elas são o tempero da vida, mas ninguém engole com satisfação um prato com sal ou pimenta em excesso.

Há momentos que fogem à regra, nos quais elas precisam ser expostas em plenitude. O grito de Philippe Coutinho, ao assinalar o primeiro gol do Brasil na Copa, lembra o de Tarzan, após enfrentar e vencer no braço a maior e mais feroz criatura da selva — uma exceção válida.

Definir o ponto de equilíbrio entre a contenção habitual e a explosão gerada pelo triunfo extraordinário não é nada fácil, mas é necessário. Não o fazer seria transferir ao sentimento, sem qualquer contrapeso, o comando de sua conduta.

Sob o pleno comando das emoções, você passaria rir às gargalhadas, ao menor sopro da euforia; zangar-se de forma desmedida se confrontado com a mais ínfima falha no desempenho de um colega ou subordinado e mergulhar num poço sem fundo de mágoa ante qualquer contrariedade. Em pouco tempo, assustadas com os seus excessos, as pessoas começariam a ignorar sua presença e evitar o convívio consigo.

Calçar um sapato apertado e mantê-lo no pé durante um dia de trabalho é coisa que você não suporta. Tão pouco vestir um tênis muito maior que o tamanho do seu pé e utilizá-lo na disputa de uma corrida ou de uma simples caminhada.

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Calçar o número adequado — e expressar as emoções dentro de parâmetros que não desconstruam sua imagem nem assustem os circunstantes — é um procedimento necessário a que você sempre esteja bem com eles e consigo mesmo.

O dia do muito é a véspera do nada. Melhor é contar com o suficiente hoje e amanhã — e isso só é possível quando se age com moderação.

“(…) seja moderado em todas as situações. (…)”

2ª Carta a Timóteo 4:5

Nova Tradução na Linguagem de Hoje
Geraldo Bonadio é jornalista. geraldo.bonadio@gmail.com

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