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Hang-Ly fala sobre psicanálise e cinema

Confira a entrevista com o psiquiatra formado pela PUC-SP em Sorocaba
Hang-Ly fala sobre psicanálise e cinema
O médico Hang-Ly Ikegami Rochel é psiquiatra e psicanalista. Crédito da foto: Divulgação

Nildo Benedetti – nildo.maximo@gmail.com

Hang-Ly Ikegami Rochel é psiquiatra formado pela PUC-SP em Sorocaba. É psicanalista membro da International Psychoanalytical Association, membro efetivo, docente e didata do Grupo de Estudos Psicanalíticos de Campinas e membro associado da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.

Veja a seguir a entrevista de Hang-Ly ao Cine Reflexão:

Cine Reflexão – Quais os transtornos psicológicos mais comuns na vida contemporânea?

Hang-Ly – Muitas pessoas são acometidas por crises de ansiedade, pânico, depressões de vários tipos, doenças psicossomáticas, psicoses, tendências suicidas, autismo, demências. Essas manifestações patológicas se manifestam a partir de situações em que nos sentimos pressionados: responsabilidades de constituição e de sustento da família, exigências das funções ou nas relações de trabalho, experiência de doenças nossa ou de familiares, dificuldades nas relações interpessoais etc.

No entanto, essas situações de pressão são apenas disparadores das manifestações patológicas citadas, porque cada um de nós vivenciará essas situações com base na personalidade que construiu durante a vida. Uma personalidade bem integrada é a base da saúde mental. E personalidade bem integrada quer dizer uma certa maturidade emocional, a constituição de uma força de caráter e o desenvolvimento de um equilíbrio. Esses atributos são construídos na nossa primeira infância e se desenvolverão ao longo da vida. Muitos transtornos provêm de uma construção “inacabada” de nossa personalidade, de nossa capacidade para lidar com a vida, com o sofrimento e com a alegria também.

CR – Em que sentido a divulgação de conhecimentos básicos de psicanálise pode ser útil ao indivíduo leigo no diagnóstico desses transtornos?

HL – Sim, são muito úteis porque as pessoas procuram, muitas vezes, soluções simplistas para cuidar dos problemas emocionais. E a saúde mental não é compatível com superficialidade. É preciso, eu diria, que nos apropriemos de uma cultura psicanalítica, que está disponível na poesia, na literatura, nas artes em geral, no cinema e na música.

CR – Como o cinema pode auxiliar na divulgação desse conhecimento?

HL – O cinema de qualidade é um celeiro fértil de experiências psicanalíticas. Podemos reconhecer no filme aspectos comuns com nossa vida cotidiana. Cinema e psicanálise mantêm entre si um traço marcante de consanguinidade pelo fato de que, na essência, ambos possibilitam que a vivência emocional possa ser expressa e apreendida de forma contundente pelo espectador. Gerada pelo espanto, o bom filme se manifesta primeiramente como um ato que nos toca e que exige seja transformado em fascínio, surpresa, angústia e questionamento, enfim, em experiência emocional.

Com os recursos técnicos de que dispõe, o cinema pode abolir as categorias de tempo e espaço, à semelhança da linguagem do sonho, e assim transmitir sensações e afetos em uma comunicação direta com o inconsciente do espectador. Dessa forma, tanto o cinema quanto a psicanálise podem despertar no homem o que ele tem de essencial.

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