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Grafite e os passarinhos!

Turma do Cicinho



Grafite e os passarinhos!
Crédito da foto: Neusa Gatto Pereira

Neusa Gatto

Quando abro os olhos naquela manhã, da primeira noite que dormi na nova casa, ouço sons de passarinhos lá fora. Um monte deles.

Pulo do sofá. Corro e, mal chego à cozinha e, de cara, lá está o Mestre. Epa, epa, epa, aonde o senhor vai com tanta pressa? Questionou-me ele. Não sei, disse balbuciando. Acho, acho… que vou ver os passarinhos lá fora, respondo temeroso.

Sei, sei disse ele, me sacando com os olhos. Saiba, continuou, que aqui não matamos os ditos cujos. Entendeu? Olho assustado pra ele. Matar? Nem sei o que é isso. Esse gato tá variando, raciocino e me esgueiro pra sair.

Vapt! Vem lá uma pata na minha frente. Escuta criaturinha. Não gosto de agir assim. Na imposição. Mas, aviso: aqui, a gente costuma ouvir uns aos outros. Se não tá acostumado e vai morar aqui, é bom ir se acostumando… Você parece um pouco afoito e bravinho pro meu gosto. Mas, já aviso, o Chiconauta, meu amigo aqui da casa, é destrambelhado. Não tem minha paciência. Portanto… Destrambelhado? Hoje parece o dia das palavras difíceis pra mim, pensei olhando de lado. Mas não digo nada. Não quero encrenca com o Mestre.

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Como disse, Chiconauta, é temperamental. Tem atitudes imprevisíveis. Não é lá de muita conversa como eu. Então, se cuide! Fecha ele o assunto e me deixa passar.

Dou de ombros. Posso ser filhote, mas não me assusto assim… fácil. Me sinto corajoso. Vai ver é alguma coisa de genética, DNA, sei lá. O Cicinho uma vez me explicou isso. Morei na casa dele antes de vir pra cá. E, sempre que a gente acabava de comer ele filosofava na escada do quintal.

Me disse que, pela experiência dele, nós, gatos gostamos mesmo de independência. Fazer o que bem entende. Ser livre. Ir e voltar quando quiser. Escolher onde vai dormir. A cama e o sofá preferidos. Até humanos, temos de estimação. Até ri nessa hora. Humanos de estimação? Sim, me olhou sério Cicinho: de estimação! Ficamos com eles porque queremos, por sentirmos boas vibrações que nos conectam.

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Vai gatinho. Você vai ver… vai ver…. como é bom acompanhar o calor e o aconchego humanos de uma casa, concluiu ele.

Sentado na mureta do quintal penso no que disse Cicinho e observo os passarinhos. Quem sabe vou lá e brinco com eles, mas me lembro do aviso do Mestre…

Grafite! Escuto uma voz. Pulo da mureta e, então, duas mãos me pegam. E, é ela, a moça que mora aqui na casa. Cheira meu nariz. Brinca com minhas patinhas. Coça minha cabeça. Afaga minha barriguinha. Amo tudo isso! Reviro os olhos. Caio no sono. Uma sensação deliciosa me invade. Ainda penso nos passarinhos. Quando acordar… talvez! Por enquanto, paz!

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