Artigos

Filosofando gato?

Artigo escrito por Neusa Gatto, jornalista e produtora de vídeos

Neusa Gatto

Acho que ando muito restrito ao meu próprio ambiente doméstico. Saio, aqui e ali, mas volto logo. Andei apaixonado por uma gata que, de repente, sumiu. Ouvi dizer que vai ter gatinhos. Serão todos meus? Não importa. Se aparecer de novo por aqui, pode entrar, a casa é sua, vou dizer pra ela.

Deitado aqui numa pilha de madeira ouço um “cisc, cisc” aqui e ali. Há alguma coisa que me foge toda vez que pressinto a presença de algo. Meu sexto sentido me diz que é alguma coisa que me interessa. Mas, toda vez que saio à procura, desisto. No silêncio de minhas pegadas percebo que o que há por aqui é esperto. Sente, de longe, minha presença.

Leia mais  Filmes da Netflix: ‘Match point’

Meu dono foi pro trampo. Dono é modo de dizer. Pra ele não me achar prepotente falo assim. Mas, de fato, tudo é meu aqui. Quem me conhece não se espanta com meu jeito. Sou assim. Nada de muitas delongas. Nem muitas explicações. Apenas convidados se achegam. Por alguns, tenho até deferência especial. Parece que já os conheço. Mas, com eles, as intimidades também são dosadas.

Acreditam por ai que sou um “gato esquisito”. Não, não, nem tanto… Sou quieto. Na minha. Curto sossego. Sei escolher meus humanos. Aqueles, cujo contato, me leva a uma outra dimensão. Interior. De ronronados que me dão enorme leveza de alma. O torpor da languidão da confiança.

Cicinho, como alguns sabem, é meu nome. Sou da vila. Do pedaço. Sou de casa. Dou minhas caminhadas por aí pra reconhecimento de terreno. Encontros com gatas novas da área. Embora eu, EH, EH, EH, já esteja amarradão numa linda felina, gosto de dar minhas voltas…

Os humanos especialmente me intrigam. E, neles, paro um pouco mais. A analisar os olhares. Gestos. Maneiras. Como expressam uns sons de diferentes significados. Alguns já aprendi a entender. Principalmente os mais altos. Trato de sair de perto.

Leia mais  Pode parar? Faz tempo que parou

Filosofando de novo gato? Tenho visto você mais chegado com as pessoas. No colo de uma visita. E vi bem que foi porque quis. Ela sequer olhou pra você.

Sim, me lembro desse dia. Procurava um lugar aconchegante e aquele colo me atraiu depois de uma longa noite de algazarra pela rua. E, ela chorava, lembro… E o inofensivo jeito dela me emocionou…

Vai me fazer chorar também gato.

Neusa Gatto é jornalista e produtora de vídeos.

Comentários