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Fale para ser entendido

Confira a coluna Reflexão, de Geraldo Bonadio

Às vezes nos encantamos com o som de nossa voz, extraímos da possibilidade de dar ordens uma enganosa sensação de poder, transformamos a obrigação de coordenar e orientar a nós delegada em doentio anseio de exercer controle e domínio sobre o outro e tolamente nos consideramos semideuses, capazes de construir um mundo sobre o frágil alicerce da vontade. Vai daí, semeamos ilusões das quais haveremos de colher pesados danos a nós mesmos, aos que tiveram a infelicidade de serem nossos subordinados e, em especial, à instituição a cujo serviço nos encontramos.

Muita empresa tem ido à falência, muita família já se fracionou, muita equipe esportiva virou colecionadora de derrotas evitáveis e muitos coletivos em que a interação deveria pautar-se pela fraternidade e pelo bem-querer tornaram-se cipoais de ódio e ressentimento, em que cada movimento implica um risco enorme, por conta de vozes de comando destrambelhadas.

Antes de expedir uma determinação, ordenar uma providência, definir a construção ou demolição de uma obra, por menor que seja, examine, cuidadosamente, como concluiu pela conveniência e necessidade da medida que se acha prestes a anunciar. O problema que busca resolver efetivamente existe? Uma iniciativa mais simples e menos onerosa não poderia dar resultado igual ou até mesmo melhor?

Se comprovar que a ação é justificável e necessária, encontre palavras simples e claras para explicar aos executores da medida o que, como e por quais motivos devem fazer o que lhes está sendo determinado.

O destinatário da mensagem precisa entende-la para executá-la a contento. Se isso não ocorre, multiplicam-se os tiros pela culatra, agigantam-se os problemas que se pretendia zerar e se produz um amontoado de insensatez que terminará por soterrá-lo.

“Como maçãs de ouro em salvas de prata assim é uma palavra falada na hora certa.”

Provérbios 25:11
Bíblia de Aparecida

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