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Economia compartilhada

Flavio Amary 

A velocidade de transformação da sociedade está mais rápida que a capacidade do Congresso e o Executivo Federal regulamentar a tributação, as relações de consumo e tantas outras questões. A dificuldade aumenta em países como o nosso, onde tanto está por ser feito, e potencializa com a característica de vários de nossos parlamentares que desviam o foco para discussões e assuntos fora da competência legislativa e de pouco interesse da sociedade.

O fato é que o compartilhamento é uma tendência desta nova sociedade e dos chamados “millennials” que estão entrando agora no mercado de trabalho e consumo.

O conceito do compartilhamento está transformando vários segmentos, inclusive o imobiliário. Da mesma forma que para beber leite e comer queijo nem todos possuem uma vaca, dividir a propriedade de bens, que não são utilizados todo o tempo, tem trazido impacto e transformado toda a economia.

Após a evolução dos aplicativos de compartilhamento de carros, começa a crescer a divisão de helicópteros, aviões, barcos, carros esportivos, equipamentos agrícolas e tratores. São tantas possibilidades, que muito ainda está por vir.

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Estamos trabalhando bastante, no Congresso Nacional, para a regulamentação da multipropriedade, bastante comum em destinos turísticos pelo mundo, e que começa a se desenvolver, em nosso país, sem, ainda, a segurança jurídica necessária para que se amplie os investimentos.

Multipropriedade é uma forma de compartilhar a propriedade de bens imóveis, como, por exemplo, aquele imóvel na praia, que traz despesas mensais e é utilizado por pouco tempo, e que poderia ter suas despesas divididas e seu uso também compartilhado.

Novos empreendimentos, nas regiões mais valorizadas e com espaços privativos cada vez menores, buscam, através do aumento das áreas comuns e dos serviços, atender essa faixa crescente de consumidores, na maioria jovens, que buscam, através da localização, ganhar tempo no deslocamento. Vários destes empreendimentos têm lavanderia, eletrodomésticos, escritórios, bicicletas e até carros compartilhados.

Claro que ainda é muito novo o conceito em nosso país, mas quando visitamos empreendimentos nas grandes cidades americanas é cada vez mais usual esses novos modelos de construção, que vão se adaptando rapidamente às novas tendências do século XXI.

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Nos imóveis comerciais a transformação não é diferente, pois, cada vez mais, espaços multiusos e compartilhados têm tido uma demanda maior que a oferta. Conhecido pelo custo fixo diluído, a maior vantagem, que se tem, é a construção de relacionamento, o network, que o uso compartilhado propicia, e que traz ganhos recíprocos e aumento dos negócios entre as empresas ou pessoas físicas que utilizam estes espaços.

Adultos, com mais de 60 anos, que nasceram em outra realidade tecnológica, fazem parte, também, de um mercado crescente de imóveis com uso compartilhado de espaços comuns tanto nos centros das cidades quanto na periferia ou no campo.

Conhecidos por cohousing, onde o senso de comunidade e compartilhamento pleno de muitos bens e serviços, trazem uma maior racionalidade pelo uso fomentando muito a integração e o relacionamento.

Mesmo com esse crescente mercado, com muitas novidades e realidades, ainda vivemos em um mercado tradicional onde as famílias buscam a sua casa, seu apartamento ou um terreno para construir sua residência, mas é sempre importante estarmos acompanhando o processo evolutivo e a velocidade de transformação que é cada vez mais impactante em nosso modo de viver.

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Flavio Amary é presidente do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP) e reitor da Universidade Secovi – famary@uol.com.br

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