Check-up, absolutamente necessário

Por

Mário Cândido de Oliveira Gomes 

Tudo começou nos anos 60, com a investigação médica dos astronautas americanos. Depois, esses exames tornaram-se populares, constituindo a principal arma na prevenção de numerosas enfermidades. Com o passar dos anos, o check-up adquiriu uma abordagem personalizada, em substituição a prescrição aleatória de dezenas de exames. Atualmente os testes são baseados num exame clínico minucioso, no qual se leva em conta a idade, histórico familiar e hábitos de vida.

O check-up completo é adotado pelas grandes empresas para seus funcionários graduados a partir dos 40 anos de idade, com a finalidade de evitar licenças, faltas ao trabalho ou aposentadorias prematuras, que são mais dispendiosas. Por outro lado, nos últimos vinte anos os exames tornaram-se menos agressivos e mais precisos. Veja-se, por exemplo, a osteoporose, cuja radiografia detectava somente perda de massa óssea acima de 30%. No momento, com a densitometria óssea pode-se descobrir perdas de até 2%. Os exames de sangue estão cada vez mais sofisticados, permitindo esclarecer problemas ocultos, como o PSA para o câncer de próstata ou a Proteína C reativa, cujo excesso é prejudicial ao coração.

No reino encantado das máquinas o progresso foi vertiginoso, permitindo ao médico penetrar dentro do corpo, vasculhar o interior dos vasos ou surpreender lesões insignificantes, com a tomografia, ressonância magnética e a cintilografia. Sem falar nos procedimentos endoscópicos, cujas sondas invadem o tubo digestivo, aparelho genito-urinário, etc.

Na última década, graças à tecnologia de ponta, as mortes por infartos tiveram uma redução de 10%, deixando de ceifar milhares de vida. Em relação aos tumores, a possibilidade de cura foi para 60% a 80%, graças ao diagnóstico precoce, como nos cânceres de mama e próstata. Testes genéticos, que avisam sobre a propensão ao câncer de cólon, tireóide, mama, útero, ovário e próstata, assim como o rastreamento com a máquina Wave, confirmam com 95% de acerto uma tendência familiar de alto risco aos nódulos malignos. O check-up deve ser feito uma vez por ano, a partir dos 20 anos de idade para manter os níveis da pressão arterial; o colesterol deve ser medido a cada dois anos a partir dos 30 anos de idade; a glicemia a cada três anos a partir dos 40 anos e o sangue nas fezes uma vez por ano depois dos 50 anos.

Entre as mulheres, o auto-exame das mamas a partir dos 20 anos, uma vez por mês, logo depois da menstruação, mamografia dos 40 aos 49 anos, uma vez a cada dois anos e anualmente acima dos 50 anos. Nas mulheres com histórico familiar de câncer de mama deve-se fazer a ultrassonografia das mamas uma vez por ano, desde a primeira menstruação até os 35 anos de idade. Para surpreender alterações de útero e ovários, depois da primeira relação sexual, fazer o teste de Papanicolau e colposcopia uma vez por ano. E a densitometria óssea uma vez por ano após a menopausa.

Para os homens, o exame de toque retal a partir dos 40 anos, com antecedentes de câncer de próstata na família, e depois dos 50 anos para todos, uma vez por ano. O toque retal é a técnica mais eficaz para identificar alterações no tamanho da glândula, apesar de desconfortável. Finalmente, a dosagem do PSA, que é uma proteína produzida pela glândula, indica a possibilidade de tumor de próstata, conforme o nível do teste. Por isso o check-up é a medicina preventiva ideal, sendo absolutamente necessário para identificar doenças escondidas ou camufladas. Os exames mais comuns pedidos num check-up de rotina são: hemograma, hemossedimentação, proteína C reativa, colesterol e frações, triglicérides, glicemia (hemoglobina glicosilada). ácido úrico, transaminases, uréia. creatinina, urina tipo I, PSA, protoparasitológico de fezes, pesquisa de sangue oculto nas fezes, TSH, T3 e T4, Rx de tórax, ECG, teste ergométrico e ultrassonografia abdominal. Os demais exames vão depender dos antecedentes do paciente, histórico familiar e achados no exame clínico.

Artigo extraído do livro Doenças - Conhecer para prevenir (Ottoni Editora), de autoria do médico Mário Cândido de Oliveira Gomes, falecido aos 77 anos, no dia 6 de junho de 2013.