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A história da sujeita

Nossa língua sem segredos

João Alvarenga

O mundo está alarmado diante das ameaças do Covid-19, o “novo coronavírus”, pois a OMS teme que essa moléstia se torne pandêmica, uma vez que cinquenta países estão com casos confirmados. No Brasil, passado o Carnaval, a realidade vem à tona: há uma fila de pacientes gripados que aguardam resultados de exames. Detalhe: estar gripado não significa estar contaminado, pode ser um simples resfriado. Como pelo mundo, os óbitos aumentam assustadoramente, muitos correm para os hospitais. Para acalmar os ânimos, o Ministério da Saúde resolveu antecipar a campanha de vacinação antigripal deste ano.

Todavia, não é a primeira vez que a humanidade é ameaçada por criaturas invisíveis. Na Idade Média, a “Peste Bubônica” (popularmente conhecida como “Peste Negra”) dizimou, segundo historiadores, 1/3 da população europeia. Tal flagelo, tido na época como “castigo divino”, tinha como principal agente transmissor os milhares de ratos que infestavam as galerias das cidades medievais, espalhavam urinas e fezes que infectavam alimentos. Como o europeu, daquele período, não lavava as mãos, não imaginava que bactérias tomavam conta do ambiente.

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Outra grande ameaça foi a “Gripe Espanhola”, batizada de “a mãe das pandemias”, pois teria exterminado entre 50 e 100 milhões de pessoas, em todo mundo (incluindo brasileiros, nem o presidente da época, Rodrigues Alves escapou). Em 2019, fez cem anos que tal tragédia estampou os jornais, cujo nome ampara-se neste enredo: o governo espanhol, além de não participar da 1ª Guerra, impediu que a impressa divulgasse o surto. A ciência sabe, agora, que tal gripe era a presença de um tipo de Influenza, cujas primeiras vítimas foram os soldados norte-americanos, entrincheirados em condições favoráveis ao surgimento de doenças.

Pouco noticiado, atualmente, alguns países africanos lutam vorazmente contra o vírus Ebola, uma epidemia africana. O médico e escritor Dráuzio Varela lembra: a doença é tratada como zoonoses, porque é transmitida de animais para seres humanos, principalmente os morcegos, além de alguns primatas. Trata-se de uma febre gravíssima, com alto poder letal, que se propaga rapidamente em locais insalubres.

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No rol das ameaças apocalípticas, nos anos 80, a raça humana julgou ser o fim da espécie, pois Aids apavorou o planeta: em pouco tempo, tornou-se a principal causa de morte. De acordo com a ONU, desde o surgimento do HIV, mais de três milhões de pessoas já morrem. Ao todo, são mais de quarenta milhões de pessoas infectadas, muitas têm sobrevida graças aos medicamentos. Segundo os cientistas, o quatro tornou-se pandêmico, porque havia o compartilhamento, entre os viciados, de seringas contaminadas. Além da promiscuidade sexual e do não uso de preservativos. Mais uma vez uma doença altamente mortífera está associada à falta de higiene.

Em nível local, Sorocaba enfrenta um minúsculo inimigo que tem demonstrado resistência, embora não passe de um pequeno mosquito que, para muitos, aparenta ser inofensivo: o “Aedes aegypti”, transmissor de várias doenças. A situação é preocupante e a Prefeitura teme que se repita o que houve em 2015, quando a cidade viveu uma epidemia de dengue. O problema é que o cidadão não cuida do próprio quintal e muitos descartam lixo em locais inadequados. Este jornal noticiou que uma rua do jardim Tatiana virou um lixão. Sem consciência, o cenário é ideal para a proliferação de pragas e o povo se torna vítima do próprio descaso. É notório que este relato tem como referência o descuido com o asseio pessoal e a limpeza de ambientes, pois a maioria das doenças só ganha espaço em meio à sujeira. Assunto da próxima quinzena: A decupagem clássica.

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João Alvarenga é professor de Língua Portuguesa, mestre em Comunicação e Cultura, produz e apresenta, com Alessandra Santos, o programa Nossa língua sem segredos, que vai ao ar pela Cruzeiro FM (92,3 MHz), às segundas-feiras, das 22h às 24h.

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