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A Arquidiocese de Sorocaba e a Fundação Dom Aguirre

Artigo escrito por Dom Julio Endi Akamine, arcebispo metropolitano da Arquidiocese de Sorocaba

Dom Julio Endi Akamine

Fui questionado sobre a razão de a Igreja cobrar mensalidades dos estudantes do Colégio Dom Aguirre e da Universidade de Sorocaba (Uniso). A Arquidiocese de Sorocaba, os seus padres e os seus bispos se enriqueceram com os lucros dessas instituições? Por que são cobradas mensalidades de seus estudantes? Para enriquecer a Igreja? É verdade que a Arquidiocese obtém lucros da exploração das atividades do Colégio Dom Aguirre e da Uniso?

A Arquidiocese de Sorocaba fundou tanto o Colégio quanto a Universidade de Sorocaba e colaborou decisivamente no seu desenvolvimento. A Uniso recebeu nota máxima na avaliação do MEC, e o Colégio Dom Aguirre foi o primeiro colégio a implantar o sistema de ensino bilíngue em Sorocaba. Através da Fundação Dom Aguirre, bispos, padres e leigos dedicaram esforço, competência e também noites de sono para fazer com que essas instituições de ensino chegassem ao grau de excelência que ostentam atualmente.

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As duas instituições são mantidas por uma Fundação (a Fundação Dom Aguirre), que foi criada exatamente para que a Arquidiocese, os seus bispos e padres não recebam nem direta tampouco indiretamente vantagens ou recurso econômico algum. É também a Fundação Dom Aguirre, como mantenedora das duas instituições, que permite com que a Arquidiocese de Sorocaba seja a “dona” delas sem poder explorá-las como fonte de lucro, como cabide de emprego para protegidos e como privilégio para apadrinhados. Graças à Fundação, todas as contas são controladas exteriormente por um curador. Sob severa vigilância dele, as duas instituições não podem ter lucro e não podem desempenhar atividades lucrativas.

Todo o superávit das duas não pode ser distribuído para outras instituições nem pode constituir lucro para ninguém, mas deve ser aplicado nas próprias instituições de ensino, ou seja, nos seus professores e funcionários através do pagamento de salários justos, na manutenção das estruturas necessárias através de investimentos, de aquisições e de construções e nos estudantes através da oferta de um ensino de qualidade.

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Neste ano, 23 seminaristas fazem o curso de filosofia na Uniso, e a Arquidiocese paga as mensalidades deles sem descontos e com alegria, pois sabe que esse pagamento acrescenta uma contribuição a mais no desenvolvimento da Universidade.

No ano passado, por exemplo, a Uniso construiu um bloco moderno e equipado para servir ao curso de odontologia. Tudo foi construído com os recursos integralmente advindos das mensalidades que os alunos pagaram e nenhum centavo foi desviado para a Arquidiocese de Sorocaba.

A Fundação Dom Aguirre distribui bolsas de estudos tanto no Colégio quanto na Uniso como contrapartida pela imunidade de algumas taxas que o governo deixa de cobrar. Hoje, cerca de 1.600 alunos na Uniso e 400 no Colégio estudam gratuitamente. Tais bolsas garantem a natureza filantrópica da Fundação. Além delas, a Fundação distribui mais outras bolsas de estudo integrais para filhos de professores das duas instituições. Além de fazer parte de um acordo coletivo, são uma forma de a Fundação reconhecer o trabalho valoroso dos educadores. Elas continuarão a ser concedidas para as respectivas instituições em que trabalham os professores. Além de tudo isso, a Fundação oferece bolsas parciais e descontos segundo critérios isonômicos e objetivos evitando assim o favorecimento de uns em detrimento de outros.

Aproveito esse artigo para agradecer todos os professores e funcionários da Fundação Dom Aguirre pela dedicação que vai muito além do próprio interesse pessoal. Garanto também aos pais de alunos que as mensalidades cobradas revertem integralmente para a própria instituição de ensino e que a Arquidiocese não recebe quantia alguma.

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Dom Julio Endi Akamine é arcebispo metropolitano da Arquidiocese de Sorocaba.

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