Triste fim da Bauhaus

Sua gênese, contudo, era capitalista, porque também pretendia aumentar as vendas no mercado e a circulação do capital na economia

Por Cruzeiro do Sul

Bauhaus

A Bauhaus, escola alemã de artes e ofícios, surgiu em 1919 por iniciativa do arquiteto Walter Gropius, acolheu o cubismo para representar o modernismo nos projetos arquitetônicos que desenvolveu e foi encerrada em 1933 a mando de Adolf Hitler, que a detestava. Abaixo seguem alguns comentários.

Referida escola alemã desenvolveu projetos de habitações populares com materiais pré-fabricados para reduzir custos, aumentar a produção industrial e favorecer as classes trabalhadoras, que teriam mais condições de adquirir a casa própria.

No período em que existiu, houve três Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna (1928-30), dos quais o de 1929 teve a participação do movimento político Viena Vermelha (influenciado pelos efeitos da Revolução Russa de 1917), que atribuiu caráter socialista àquele CIAM.

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Adolf Hitler era avesso aos comunistas e à Bauhaus, considerava subversivo e degenerado o movimento modernista e a correspondente arquitetura, impróprios aos valores da cultura e da fantasiosa raça ariana (germânica) que ele impunha à sociedade. Após assumir o cargo de chanceler (30/01/1933), determinou o encerramento daquela escola e perseguiu os professores que nela lecionavam (ou lecionaram).

O ditador germânico queria ser arquiteto e gostava somente da arquitetura neoclássica, com a qual pretendia construir os edifícios públicos da capital Germânia, a ser erguida em extensão urbana da cidade de Berlim. Ele acreditava que conquistaria o mundo e o repovoaria com a raça ariana, da qual deveriam fazer parte os alemães, inclusive dos Sudetos, e os austríacos, e Germânia seria a capital do mundo repovoado.

Ele desconhecia que o neoclassicismo foi a fonte primeira do modernismo, desmerecido e hostilizado por ele sem ter conhecimento para rejeitá-lo. Afirmava, também, que o modernismo tinha gênese comunista, o que colidia com a doutrina do nazismo por ele criada.

O modernismo tinha o escopo de alcançar o maior número de pessoas, além das de origem nobre ou aristocrática, e favorecer a burguesia que, na virada do século XIX para o XX, afirmava-se no cenário científico, cultural, econômico, político, social, técnico e urbano. Na área da arquitetura visava aos trabalhadores com o mesmo objetivo. Sua gênese, contudo, era capitalista, porque também pretendia aumentar as vendas no mercado e a circulação do capital na economia. Não era comunista, embora houvesse alguma influência.

Conclusivamente, o triste fim da Bauhaus foi mandado por Hitler movido por caprichos próprios, insanos, criminosos, vazios de conteúdo e de conhecimento, para exaltar a hedionda doutrina nazista, com a qual queria conquistar e repovoar o mundo pela ilusória raça ariana, que nunca existiu. Nada a mais.

Marcelo Augusto Paiva Pereira é arquiteto e urbanista.