Simpliciano de Almeida, o legado de um homem de brios na história de Sorocaba

Por Cruzeiro do Sul

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Sorocaba recorda a trajetória de Simpliciano de Almeida, uma figura cuja vida se entrelaçou com os momentos mais decisivos do desenvolvimento político, social e educacional de Sorocaba. Nascido em 8 de junho de 1890, Simpliciano não foi apenas um comerciante de sucesso, mas um articulador político e benemérito que deixou marcas profundas na sociedade local.

Juventude e superação no comércio

Filho de Adolpho Claro de Almeida, ex-tropeiro, e Vicentina Monteiro de Almeida, Simpliciano descendia de famílias tradicionais com influência na região de Aparecidinha. Iniciou seus estudos com o professor Amaro Egidio de Oliveira e integrou a primeira turma do Grupo Escolar Antônio Padilha, em 1896. Entretanto, a morte prematura de sua mãe o obrigou a interromper os estudos para ajudar no sustento de seus cinco irmãos.

Sua carreira comercial começou na “Loja do Veado”. Graças à confiança de viajantes comerciais e a um pequeno empréstimo, fundou aos 21 anos a “Loja Esperança”, situada na esquina das ruas Direita (Dr. Braguinha) e do Comércio (Barão do Rio Branco). Mais tarde, dedicou-se à sua chácara na praça Fajardo, chegando a doar terras para a abertura de parte da rua Rodrigues Pacheco.

Liderança política e a luta pelo ensino

Simpliciano integrou a ala do Partido Republicano Paulista (PRP) que buscou derrotar o “vergueirismo”, domínio político da época. Eleito vereador em 30 de outubro de 1928, tornou-se vice-prefeito na chapa de João Machado de Araújo e chegou a ocupar a chefia do Executivo durante as férias do titular. Sua atuação foi fundamental para a criação do Ginásio Municipal, que inicialmente funcionou de forma particular com auxílio da Loja Maçônica Perseverança III e fundos angariados pelo próprio Simpliciano.

Mesmo com a deposição da Câmara pela Revolução de 1930, sua integridade era tamanha que, enquanto casas de outros políticos eram apedrejadas, a sua residência foi poupada devido ao alto conceito público que desfrutava. Um episódio marcante desse período foi a mágoa que guardou do novo prefeito, Otacílio Malheiros, que recusou seu cumprimento durante a transmissão do cargo em 29 de outubro de 1930.

Benemerência, maçonaria e Santos Dumont

No campo social, Simpliciano destacou-se na “Filantropia Sorocaba”, prestando assistência a portadores de hanseníase na Vila de São Lázaro até 1933. Na maçonaria, ingressou na Loja Maçônica Perseverança III em 1928, exercendo o cargo de Venerável (1937). Um dos momentos mais curiosos de sua vida ocorreu em 7 de setembro de 1931, quando foi convocado como testemunha do testamento de Santos Dumont, o inventor do avião, que escolheu Sorocaba para registrar suas últimas vontades. Formou uma numerosa família com sua esposa Isabel Fernandes, com quem se casou em 1913. Seus filhos tornaram-se profissionais de destaque, incluindo professores universitários, cirurgiões-dentistas e aeronautas.

Sua vida permanece como um exemplo de modéstia, honestidade e espírito benemérito, deixando profundas saudades e um legado de brio que continua a inspirar as gerações atuais da cidade.

Carlos Pinto Neto é advogado, secretário da Academia Sorocabana de Letras, membro do Instituto Histórico Geográfico e Genealógico de Sorocaba (IHGGS), sócio do Gabinete de Leitura Sorocabano, presidente do Instituto Cultural “José Aleixo Irmão” (ICJAI) e diretor institucional da GIA — União Cultural