O túnel do tempo

Por Cruzeiro do Sul

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As discussões sobre a implantação da avenida Marginal Direita, prometida pela prefeitura, retornaram com novos contornos, no sentido de questionar a eficácia do projeto quanto à preservação do meio ambiente natural do trecho urbano escolhido para a obra.

Sob a óptica do urbanismo, o crescimento das cidades exige soluções que garantam a fluidez do trânsito de mercadorias, pessoas, serviços e veículos por toda a malha urbana, sem prejuízo do tempo de deslocamento entre ir e vir dos diversos lugares.

Dentre tantas existentes, inclusive de gêneses jurídica e administrativa executadas pelos poderes públicos, os projetos urbanísticos se apresentam com (re)desenhos de vias públicas destinadas à melhoria do trânsito urbano.

Em razão da escala desses projetos, maiores do que a escala humana, os espaços a serem ocupados dependem de escolhas pelo poder público nem sempre acolhidas pela população, que a eles reage, se causarem mais prejuízos do que benefícios à qualidade de vida. Reduzir áreas verdes para implantar vias públicas tem sido considerado retrocesso urbanístico.

A justificativa dada às obras de servirem para reduzir o congestionamento é insuficiente para acolhê-las nos espaços urbanos, se puserem em xeque áreas consolidadas por várias tipologias de edifícios e infraestrutura ou por parques, praças e vegetações nativas em benefício da vida urbana da população.

Outras propostas de projetos podem ser apresentadas para expandir a malha urbana sem prejudicar a vegetação nativa existente: maior afastamento das áreas verdes, desapropriação de terrenos vazios, de áreas urbanas degradadas e construção de túneis são exemplos.

A construção de túneis nas cidades reduz a agressão ao meio ambiente natural e favorece as cidades, enquanto vias públicas de expansão urbana, assim destinadas em benefício da população a percorrê-los por longos trechos em menos tempo e pensados para oferecer melhores condições urbanas, com vistas à melhoria dos fluxos de mercadorias, pessoas, serviços e veículos.

Em cidades de características metropolitanas, em que a população e os fluxos de veículos crescem anualmente, urge construir novas vias públicas para desafogar o trânsito. Será necessário examinar as melhores soluções contra projetos inadequados, os quais causem mais transtornos do que benefícios à população e ao meio ambiente. Construções de túneis podem atender às melhores soluções.

Conclusivamente, o túnel do tempo é cada túnel construído em benefício da população e do meio ambiente natural e artificial para melhor fluir o trânsito, reduzir o tempo de percurso, preservar áreas consolidadas por tipologias urbanas e vegetação nativa, redesenhar as vias públicas com conexões subterrâneas e aproximar diversas regiões em cada cidade. Nada a mais.

Marcelo Augusto Paiva Pereira é arquiteto e urbanista.