As torres gêmeas
As conhecidas Torres Gêmeas, que compuseram o complexo de edifícios denominado World Trade Center (WTC) e destruídas pelo grupo terrorista Al-Qaeda em 2001, foram uma referência tão simbólica ao mundo contemporâneo quanto foi o Farol de Alexandria para o mundo antigo e medieval.
Assim como aludido Farol (construído em 280 a.C. na ilha de Faros) sinalizava a entrada do porto daquela cidade egípcia, aquelas torres sinalizavam a entrada dos navegantes à cidade de Nova York, pela confluência do Oceano Atlântico com o rio Hudson, tanto de dia quanto à noite, quando suas luzes realçavam as dimensões que se destacavam naquele espaço urbano.
Ambas as torres foram ícones que exerceram forte efeito simbólico, tanto para os Estados Unidos quanto para o mundo, porque estiveram acrescidas de cargas valorativas procedentes da cultura capitalista, ocidental e hegemônica daquela época. Simbolizavam a força do poder político e econômico do capitalismo e daquele país norte-americano contra o comunismo e a União Soviética, que tentava impor este modelo econômico mundo afora.
Simbolizavam, também, o modo de vida americano e ocidental, oriundos da cultura e religião judaico-cristã, das artes, da arquitetura e da filosofia greco-romana, das doutrinas econômicas dos pensadores ocidentais (Adam Smith e John Maynard Keynes são exemplos) e do quanto o Ocidente produziu em bens, ciências, serviços, tecnologia e qualidade de vida.
O arquiteto Minoru Yamazaki (1912-86), que projetou e construiu o conjunto habitacional Pruitt-Igoe (1952-72), projetou-as ao final da década de 60 do século XX e foram inauguradas, em abril de 1973, pelas autoridades portuárias de Nova Jersey e Nova York. Cada torre possuía 110 andares em 417 metros de altura da primeira e 415 metros da segunda torre. Outros edifícios, menores, compuseram o complexo no total de sete.
Tais torres foram o ápice da arquitetura modernista, tanto na forma quanto na função comercial e na estrutura, desenhadas para resistirem às eventuais contingências em face do conhecimento científico e tecnológico daquela época. Era impensável que poderiam ser destruídas por dois aviões de passageiros carregados de combustível, como fizeram os terroristas da Al-Qaeda, aos 11 de setembro de 2001.
Conclusivamente, as Torres Gêmeas, ápices da arquitetura modernista, foram símbolos do mundo capitalista e ocidental, conduzidos pelos Estados Unidos com vistas a exaltar a força econômica e política que possuíam e do capitalismo, representavam tudo o quanto o Ocidente almejava, possuía e produzia à luz do progresso econômico. Quando aqueles terroristas as destruíram, o mundo capitalista perdeu o maior de seus símbolos, mas não se rendeu ao terrorismo nem perdeu a hegemonia. Nada a mais.
Marcelo Augusto Paiva Pereira é arquiteto e urbanista.