O fim da arquitetura pós-modernista

Por Cruzeiro do Sul

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A corrente artística do pós-modernismo surgiu na Inglaterra, na década de 50 do século XX, em razão e em reação à devastação causada na Europa pela Segunda Guerra Mundial (1939-45), foi fonte de várias ramificações, dentre as quais a arte contemporânea e a arquitetura pós-modernista.

Diferentemente da arte contemporânea, mencionada arquitetura demorou mais tempo para surgir na área artistica. O modernismo continuou em voga após aquela guerra mundial e reconstruiu muitas das cidades destruídas pelos combates terrestres e bombardeios. Em muitos casos a arquitetura modernista era a melhor alternativa para a recuperação da vida urbana durante a reconstrução no continente europeu.

Essa arquitetura teve declarado seu fim nos Estados Unidos, após o fracasso do conjunto habitacional Pruitt-Igoe (1952-72), construído ao norte de Saint Louis (Missouri), o qual não atingiu a finalidade de dar conforto e segurança aos condôminos. Entre 1972 e 1976 foi inteiramente demolido e daí surgiu a oportunidade para o pós-modernismo ocupar o lugar da antecessora.

A arquitetura pós-modernista traz as elementares do ceticismo, da ironia, da fragmentação e da efemeridade, traduzidas nas formas dos edifícios e nos partidos arquitetônicos. Nesta corrente arquitetônica a forma não segue a função, mas a fantasia (reage ao funcionalismo), consequência do amálgama de diversos elementos clássicos, estilos, materiais modernos, ornamentação e uso de cores fortes, por vezes incomuns, com propósito irônico (humorístico ou sarcático), num “neoecletismo” sem a racionalidade do funcionalismo.

São superficiais e efêmeros os partidos arquitetônicos desses projetos: superficiais, porque prestigiam a aparência, são heterogêneos, ostentatórios e não tem composição (ao contrário, tem meras intersecção, justaposição e superposição); efêmeros, porque reproduzem a arquitetura e a arte (não as criam), fazem de mercadoria a cultura, visam satisfazer o mercado antes do indivíduo, são antivanguardistas (não propõem inovações) e acolhem os ideais dos clientes, em substituição dos ideais seguidos pelos arquitetos.

No final da década de 90 do século XX, a arquitetura pós-modernista perdeu espaço à neomodernista, que resgatou a origem cultural, doutrinária, duradoura, estética, inovadora e principiológica do modernismo, incluiu os mais modernos materiais de construção e aproximou os edifícios do urbanismo, que devem estar integrados à cidade, com mais áreas de convívio aos pedestres e usuários.

Conclusivamente, a arquitetura pós-modernista substituiu a modernista após o fracasso de Pruitt-Igoe, projeto habitacional fundamentado nos pioneiros da arquitetura modernista. Assim como esta, a pós-modernista foi posta de lado e os arquitetos optaram por atualizar os primórdios do modernismo, pelos quais as cidades e os edifícios do século XX se configuraram e atravessaram o tempo até atingirem a arquitetura neomodernista. Nada a mais.

Marcelo Augusto Paiva Pereira é arquiteto e urbanista.