A Heráldica da Memória: o escudo que protege e celebra nossa identidade
Símbolos não são apenas adornos estéticos; são recipientes de história, valores e identidade. Ao apresentarmos o brasão de armas do Instituto Cultural José Aleixo Irmão, não estamos apenas revelando uma marca institucional, mas sim um mapa visual da trajetória de um homem que transformou a justiça e a literatura em ferramentas de civismo para Sorocaba e para o Brasil.
A heráldica deste Instituto foi concebida para ser uma biografia silenciosa. No centro de nosso escudo, a Cruz do Vau em vermelho (goles) evoca o sacrifício e a retidão de princípios. É o regionalismo de Nuporanga, terra natal de nosso patrono, encontrando o seu destino na Sorocaba que o acolheu e o viu florescer.
O lema que sustenta nossa insígnia — In Jus Atque Litteras Ex Agro (No Direito e nas Letras, vindo do Campo) — resume a essência de José Aleixo Irmão. Ele foi o homem que partiu das primeiras letras nas escolas rurais para se tornar o promotor de Justiça zeloso, o historiador minucioso e o acadêmico que ocupou a cadeira número um da nossa Academia Sorocabana de Letras.
Cada quartel de nosso brasão narra um capítulo dessa história:
— O Livro e o Tinteiro: Representam a imensa contribuição intelectual, desde obras sobre o socialismo de Euclides da Cunha até as memórias da Revolução Constitucionalista de 1932, na qual serviu com bravura.
— A Enxada e o Poncho: Recordam que a cultura, para o dr. Aleixo Irmão, nunca foi um exercício de vaidade, mas um trabalho árduo, de raízes profundas, voltado à gente humilde e ao progresso comunitário.
— A Estrela Pentagonal: Simboliza o homem integral, aludindo à sua dedicação à maçonaria e aos princípios que regeram sua vida física, emocional, mental, intuitiva e espiritual.
Externamente, os grifos guardam este tesouro cultural, enquanto a coroa mural de prata reafirma nossa conexão com as cidades que formaram sua alma. Este brasão não pertence apenas ao Instituto; ele é o fundamento sobre o qual iremos num futuro próximo instituir uma honraria que buscará reconhecer aqueles que, em tempos de efemeridades, ainda cultivam o saber e o amor à pátria com a constância da aroeira.
Honrar este escudo é garantir que a alma de Aleixo Irmão continue a se conectar com o mundo material, multiplicando-se entre nós através de cada gesto de preservação da nossa memória.
Carlos Pinto Neto é advogado, secretário da Academia Sorocabana de Letras, sócio efetivo do Instituto Histórico Geográfico e Genealógico de Sorocaba, diretor institucional da GIA União Cultural e presidente do Instituto Cultural “José Aleixo Irmão”.