O pós-modernismo

Por Cruzeiro do Sul

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A corrente artística do pós-modernismo surgiu na segunda metade do século XX, em consequência da Segunda Guerra Mundial (1939-45), que destruiu a Europa e enterrou as expectativas de que a modernidade e o modernismo eram o caminho do progresso.

O fim da Segunda Guerra Mundial reduziu a Europa a escombros (fragmentos), dividiu em dois o território da Alemanha e distribuiu sua administração em quatro setores (americano, francês, inglês e soviético). Berlim, capital histórica, foi dividida por um muro entre os soviéticos e americanos, para evitar a fuga de moradores do lado comunista para o capitalista. A Europa e tudo o quanto a modernidade prometia estavam em frangalhos.

Desse ambiente devastador surgiu o pós-modernismo, em reação ao fracasso da modernidade e do modernismo, para recuperar a vida com o que sobrou: um resgate de fragmentos, pedaços e trechos incompletos de bens e valores, destroçados com expectativas que não se realizaram.

A ruptura pelo pós-modernismo foi consequência dessa descrença, em que sobrou a vontade de viver conforme as possibilidades de cada sobrevivente, na oportunidade de cada dia e na conveniência de cada conduta vivida. Os fundamentos do pós-modernismo são o ceticismo, fluidez, fragmentação e ironia (ou sarcasmo), com os quais qualificaram de modernidade líquida a sociedade de consumo e tecnológica.

O ceticismo e a ironia criticam a própria linguagem, com vistas a refletir sobre o processo (meios ou instrumentos) de criação artística. A cultura popular de massa ganhou espaço e dissolveu as fronteiras entre a hierarquia cultural (alta e baixa) e questionou os limites preexistentes.

A fragmentação trata da realidade, em que não há unidade nem foco a ser atingido. Há um mosaico de costumes e valores, sem que se unam ou se orientem por um vetor. Ao contrário, há pluralidade deles, cada qual com identidade própria.

A fluidez aborda a tempestividade das relações sociais, vividas a cada momento, como se amanhã não houvesse mais nada (efemeridade). A identidade de cada pessoa também é fluída, por depender de cada momento, do que virá e poderá ser vivido. A fluidez reflete a falta de expectativa por uma sociedade engajada em propósitos e valores mais humanos.

Conclusivamente, o pós-modernismo foi a reação ao fracasso das promessas e expectativas ditadas pela modernidade e pelo modernismo, com o objetivo de resgatar o que sobrou dos escombros da Segunda Guerra Mundial e continuar a vida conforme a realidade de cada pessoa em cada dia. E a modernidade líquida é a sociedade de relações voláteis, superficiais (sem lastro), que o pós-modernismo criticou e, por fim, criou. Nada a mais.

Marcelo Augusto Paiva Pereira é arquiteto e urbanista.