Arte moderna e contemporânea
Iniciado na Europa em fins do século XIX, nos anos 1960 o modernismo disputou espaço com o pós-modernismo que crescia, dos quais as artes moderna e contemporânea são suas derivadas. Destacam-se a Op Art e a Pop Art, distintas nos manifestos, mas concorrem nas finalidades, reações e na representação da arte, anteriores e posteriores à Segunda Guerra Mundial (1939-45).
Da arte moderna, a Op Art tem origem na década de 30 do século XX, decorre do expressionismo abstrato, desenvolveu-se na década de 60 e se fundamenta nas ilusões que as imagens causam aos observadores em razão das formas dadas. São figuras abstratas, com rigores técnicos, mais próximas das ciências exatas do que das humanas. Causam as sensações de distanciamento, elevação, movimento, ondulação, profundidade, proximidade e outras, que a visão interpreta em face de cada imagem (ou desenho).
Seu maior expoente foi o húngaro Victor Vasarely (1906-97), cujas primeiras obras datam da década de 30: “The Chess Board”, “Harlequin”, “Tigres” e “Zebra” (ilustração), além de outras em décadas posteriores.
Da arte contemporânea, a Pop Art tem origem na Inglaterra da década de 50 e atingiu seu ápice nos Estados Unidos da América na década de 60 do século XX. Fundamenta-se em questionar a arte tradicional e se aproximar do público com uso de objetos de consumo, do dia a dia e imagens da cultura popular. Faz uso de apelos emocionais entre o público e as imagens, desprovidas de rigores técnicos (ela se opõe à Op Art). Visa estimular nas pessoas outras interpretações (ou valores) aos bens em geral e o que significam a elas.
Seu maior expoente foi Andy Warhol (1928-87), cujas obras mais conhecidas são as serigrafias de “Big Campbell’s Soup Can”, “Elvis I & II”, “Mao” e “Marilyn Monroe”, além de outras posteriores.
Ambas abordam o conceito e a finalidade da arte, as formas de fazê-la, o papel do artista em face da sociedade, a interação do público com as representações artísticas e o exercício da subjetividade pelas experiências psicológicas (racionais e emocionais) resultantes (reinterpretar as imagens e os objetos diante de nossos sentidos).
Conclusivamente, ambas as correntes artísticas se opõem nas épocas e nos manifestos (fundamentos), mas concorrem nas finalidades e atingem a mesma profundidade, qual seja, aproximar o público para senti-las, interagir com as imagens e bens e se comunicar com as mensagens, refletir sobre nós, nossa civilização, crenças, culturas, valores éticos e morais, no que interpretamos, vemos e almejamos (ser ou ter). Por fim, visam ao exercício da nossa subjetividade diante das imagens e do mundo em que vivemos. Nada a mais.
Marcelo Augusto Paiva Pereira é arquiteto e urbanista.