O ensino em Sorocaba
Desde que Baltazar Fernandes chegou a Sorocaba, houve uma preocupação constante com o ensino. Seu primeiro ato foi construir a Igreja de Sant’Anna e entregá-la aos padres beneditinos de Santana de Parnaíba, com a condição de que ministrassem aulas de religião, canto litúrgico, escrita e leitura em latim, além das operações básicas de matemática, para aqueles que chegavam à região para se estabelecer. A escola dos beneditinos estendeu suas atividades até meados de 1805.
Após a vinda da Família Real e as consequentes mudanças educacionais no País, Sorocaba ganhou sua primeira escola régia em 1818. Já a primeira escola feminina foi criada em 1841, sendo dirigida durante 40 anos pela professora Vicentina de Vasconcelos.
Em 1847, o professor Francisco de Paula Xavier de Toledo fundou o Colégio do Lageado, localizado na zona rural, no Sítio da Tapera, próximo ao Ribeirão do Lageado, nos Campos Largos de Sorocaba, juntamente com sua esposa, Dona Delfina de Mascarenhas Camelo. O colégio funcionava em regime de internato e chegou a atender 200 alunos, entre meninos e meninas. Apesar de sua localização no Campo Largo, representou um dos primeiros esforços de educação secundária e internato na região, destacando-se em um período em que a educação formal era rara no interior paulista.
Nessa instituição, estudaram personalidades que desempenharam papéis relevantes na vida pública e profissional do Brasil no século XIX e início do XX, tais como: Júlio Prestes de Albuquerque, Ubaldino do Amaral, Américo Brasilense, Bento Jequitinhonha, Rubino de Oliveira, Otto Landgard (filho do primeiro médico a clinicar gratuitamente na Santa Casa), Fernando Prestes, entre outros.
O colégio teve altos e baixos, encerrando suas atividades em 1866; em 1875, retomou sua segunda fase, encerrando-se definitivamente em 1884.
Educação popular e social
Na década de 1870, Sorocaba possuía duas escolas públicas masculinas, duas femininas e algumas escolas particulares. Percebeu-se, precocemente, que a educação seria essencial para transformar a realidade social da cidade, especialmente para ex-escravizados e trabalhadores operários adultos.
Nesse período, surgiram três cursos noturnos de destaque. O Clube Científico-Literário manteve, entre 1882 e 1885, uma escola noturna para a alfabetização de adultos e crianças. A Loja Maçônica Perseverança III fundou, em 31 de julho de 1869, uma escola noturna com foco na abolição dos escravos e na educação popular. A Fábrica Nossa Senhora da Ponte, de propriedade de Manoel José da Fonseca, organizou uma sala de aulas noturnas para seus operários em 1882.
A consolidação dos grupos escolares
Em 28 de março de 1896, foi inaugurado o primeiro grupo escolar formal no centro da cidade: o Grupo Escolar Antônio Padilha. O nome homenageia o comerciante e vereador Antônio Egydio Padilha de Camargo, que lutou pela criação da escola, mas faleceu antes da inauguração.
Posteriormente, outros grupos foram instalados: Visconde de Porto Seguro (instalado em 21 de março de 1914, no centro, em homenagem ao historiador Francisco Adolfo de Varnhagen); Bairro Além Ponte (terceiro grupo público, criado em 1919 para atender famílias de trabalhadores e imigrantes); Santa Rosália (construído pela fábrica Têxtil Santa Rosália na década de 1920, em uma região de forte presença operária); Votorantim (criado no bairro industrial de mesmo nome na década de 1920).
Essa expansão fez parte de um processo de transição importante para a educação pública em Sorocaba no início da República. Paralelamente, surgiram as “escolas isoladas” (com apenas um professor para várias turmas) em bairros afastados e zonas rurais. Na década de 1940, surgiram os grupos Senador Vergueiro, Baltazar Fernandes, Monsenhor João Soares e o Grupo Escolar da Árvore Grande.
Ensino médio, técnico e superior
Com a necessidade de formação avançada, surgiu o ensino ginasial. O Ginásio Municipal de Sorocaba foi criado em 1928, tornando-se Ginásio Estadual na década de 1930 e, em 1946, recebendo o nome de Dr. Júlio Prestes de Albuquerque. Em 1949, a prefeitura oficializou o Colégio e Escola Normal Dr. Getúlio Vargas.
Na década de 1960, com a implantação da zona industrial, a cidade cresceu e exigiu novas escolas, como a Profº Júlio Bierrenbach de Lima, Dr. Arthur Cyrillo Freire, Profº Altamir Gonçalves, Profº Arquimínio Marques da Silva e Profº Lauro Sanches. Além dessas, consolidaram-se escolas técnicas (Profº Rubens de Faria), profissionalizantes (Senai e Senac) e particulares.
O ensino superior iniciou-se em 1951 com a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Sorocaba (atual Uniso). Seguiram-se a Fadi (Faculdade de Direito de Sorocaba) em 1957, a Faculdade de Medicina da PUC-SP, a Fatec, e os campus da UFSCar e da Unesp.
Panorama Atual
Atualmente, considerando os ensinos infantil, fundamental e médio, Sorocaba conta com 180 escolas municipais; 90 estaduais; uma federal; e 178 escolas particulares.
No ensino superior, a cidade possui cinco faculdades públicas e 13 particulares.
Maria Aparecida Almeida Dias de Souza, é vice-presidente da Academia Sorocabana de Letras.