Arquitetura modernista no Brasil
A corrente artística modernista entrou no Brasil durante a Semana de Arte Moderna, de 13 a 17 de fevereiro de 1922 (segunda a sexta-feira), em que os artistas romperam os elos do historicismo e propuseram estilos livres de qualquer regra ou modelo apriorístico. A arquitetura também teve três fases, as quais abaixo seguem.
A primeira, “heroica” (1922-30), influenciada pelos movimentos europeus de vanguarda, pôs fim ao historicismo e buscava um estilo nacional, que valorizasse nosso “modus vivendi”. Nesta fase surgiu a arquitetura modernista brasileira, criação livre do barroco e inspirada nos estilos da Bauhaus (Alemanha) e de Le Corbusier (França). Em 1927 foi construída em São Paulo a primeira casa modernista, do ucraniano Gregori Warchavchik, com fundamento nos ideais daqueles modernistas europeus.
A segunda, de “consolidação” (1930-45), visava atribuir nova identidade ao País, moderno e com engajamento do trabalhador urbano. Getúlio Vargas quis distinguir a identidade de seu governo de qualquer traço de continuidade com a República Velha (1889-1930), conhecida por “República do Café com Leite”, em que o ecletismo era o movimento artístico dominante. Vargas, então, acolheu a arquitetura modernista e desta várias obras, públicas e privadas, foram construídas e redesenharam a estética dos edifícios e das cidades, as quais consolidaram aquele movimento artístico em benefício da modernidade por ele prometida.
Nessa fase Francisco Prestes Maia executou o Plano de Avenidas, quando foi prefeito (1938-45) de São Paulo. Foi, também, o período em que Lúcio Costa e sua equipe projetaram e construíram (1936-45) o Edifício do Ministério da Educação e Saúde no Rio de Janeiro e, quando Juscelino Kubitschek foi prefeito de Belo Horizonte, Oscar Niemeyer projetou e construiu (1943-45) no bairro da Pampulha a Capela de São Francisco de Assis (foto), na qual inovou ao incluir a linha curva no projeto.
A terceira, “geração de 45” (1945-1980), surgiu sem o engajamento político anterior, aprofundou a linguagem artística nos projetos arquitetônicos e urbanísticos, desenvolveu o estilo nacional com linguagem própria e ousada (as curvas incluídas no desenho) e conquistou prestígio internacional. Nesta fase surgiu o concretismo e Lúcio Costa e Oscar Niemeyer projetaram e construíram a cidade de Brasília (1956-60), no Planalto Central, quando Juscelino Kubitschek foi presidente da República.
Conclusivamente, a arquitetura modernista, introduzida no Brasil após a Semana de Arte Moderna (a primeira obra foi a casa de Gregori Warchavchik), consolidada por Getúlio Vargas para dar outra identidade ao País, de cunho modernista, passou por São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, criou Brasília e chegou ao presente, atualizada e nacional, como queriam os pioneiros arquitetos brasileiros de vanguarda. Nada a mais.
Marcelo Augusto Paiva Pereira é arquiteto e urbanista.