Arquitetura industrial

Por Cruzeiro do Sul

.

A Revolução Industrial (1760-1840), ocorrida na Inglaterra, foi causa de muitas inovações tecnológicas, como a substituição da atividade manufatureira pela máquina a vapor, o uso do ferro em larga escala e o surgimento da cultura industrial (em substituição da artesanal). A arquitetura industrial surgiu junto destas inovações, cujos comentários seguem abaixo.

O ferro foi uma delas, utilizado em várias obras como elemento estrutural e estético, das quais a ponte de Coalbrookdale foi a primeira (1779) construída com esse material, seguida de outras obras. Erguido em Londres, o Palácio de Cristal (1850-51), projetado com módulos de ferro e vidro que se repetiam até a conclusão do edifício, foi inovador e abrigou outras obras inovadoras durante a Grande Exposição de 1851.

Nesse ambiente urbano, tecnológico e científico surgiu a arquitetura industrial, com projetos destinados a abrigar as máquinas e outros equipamentos necessários e úteis à produção, planejada para produzir mais em menos tempo e aumentar a oferta dos produtos (a produção manufatureira, de gênese artesanal, perdia mercado para a industrial).

No período de 1908 a 1910, Peter Behrens (1868-1940) projetou e construiu, em Berlim, o edifício da empresa AEG (Allgemeine Elektricitäts-Gesellschaft), um enorme edifício retangular para abrigar as máquinas de produção de turbinas a vapor. Foi o primeiro edifício fabril erguido com aço e vidro na Alemanha.

Referido arquiteto inovou ao projetar o edifício com vigas mais robustas e em menor quantidade do que se projetavam para edifícios desse porte. A ele o edifício devia representar a nova era de produção, um templo da modernidade que surgia, sem perda da função nem da estética (o princípio “a forma segue a função”, de Louis Sullivan, foi fielmente aplicado por aquele arquiteto). Construída em concreto armado, a fachada do edifício teve inspiração neoclássica e evocava os avanços industriais e tecnológicos que ingressavam no século XX.

Atualmente, a arquitetura industrial continua a seguir aludido princípio e a criar espaços modulados, com vigas e pilares de aço, grandes janelas e portas, paredes removíveis, ambientes integrados e outros componentes destinados à eficiência da produção. A estética dos edifícios fabris, entretanto, não deve ser prejudicada pela função; ainda que desta a forma seja acessória, deverá ter a estética que a arquitetura sempre desenhou.

Conclusivamente, a arquitetura industrial tem origem na Revolução Industrial inglesa, foi elaborada pelas conquistas científicas e tecnológicas do período, ingressou no século XX com o “status” de templo da modernidade (empresa AEG) e chegou aos dias atuais ainda acompanhada do princípio “a forma segue a função” junto de outros componentes de projetos, dos quais a estética sempre deverá atribuir, a ela, a forma que a função requer. Nada a mais.

Marcelo Augusto Paiva Pereira é arquiteto e urbanista